Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Antônio Fidélis Sobrinho
Data de nascimento
29 de outubro de 1951
História de vida
Antônio Fidélis nasceu no interior da Paraíba, no município de Remígio que se localiza na região da Serra da Borborema. Sua aproximação com a música se deu por meio da escuta e da observação das manifestações populares presentes nas feiras da região. Ainda jovem, frequentava esses espaços e se encantava ao ver rabequeiros, tocadores de pife e sanfoneiros de oito baixos se apresentando. Tempos depois, conseguiu adquirir sua primeira sanfona e passou a aprender o instrumento pelo contato direto com os músicos locais e a prática constante. Iniciou sua trajetória tocando em festas rurais, casamentos e bailes de roça - muitas vezes, sem energia elétrica ou equipamentos de som, iluminados apenas por candeeiros. Em 1975, aos 24 anos de idade, migrou para o Rio de Janeiro com o objetivo inicial de trabalhar como mecânico em oficinas, profissão que exerceu por vários anos. Durante esse período, manteve-se afastado da cena musical até conhecer o forró do Tio Pedro, na Barra da Tijuca, onde se aproximou do cantor Chico Mota. A partir dessa relação, passou a integrar o circuito do forró carioca, participando de programas de rádio e ampliando sua rede de contatos. Se consolidou na cena e passou a tocar com o sanfoneiro Manhoso, com quem trabalhou durante 18 anos, realizando extensas turnês por diversos estados brasileiros. Integrou o Trio Pé-de-Serra, especialmente entre o final dos anos 1990 e a década de 2000, quando havia uma pujança dos eventos de forró no estado. Atualmente, lidera o trio Sotaque do Nordeste, mantendo-se ativo em apresentações, sobretudo no período das festas juninas.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
A trajetória de Fidélis envolve relações de trabalho com músicos, produtores e casas de forró. O sanfoneiro atuou, por mais de cinco décadas, ao lado de artistas e famílias tradicionais do forró e estabeleceu parcerias com os mesmos.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
É um sanfoneiro com trajetória de mais de quatro décadas dedicadas ao forró. No estado do Rio de Janeiro, atua em trios pé-de-serra, casas de forró e festas populares. Algumas das suas principais referências são Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro e Sivuca.
Aprendizado do bem
Aprendeu a tocar sanfona pelo convívio com músicos que se apresentavam no interior da Paraíba. Embora seja reconhecido como sanfoneiro, Fidélis também aprendeu a tocar zabumba e triângulo por meio da convivência com outros artistas.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Fidélis avalia que a cena do forró, no estado do Rio de Janeiro, passou por períodos distintos ao longo de sua trajetória. De acordo com ele, entre o final da década de 1990 e dos anos 2000, houve um momento de grande vitalidade do forró, com apresentações frequentes em diversas casas de espetáculo distribuídas pela capital e região metropolitana, incluindo a Zona Norte, a Zona Sul, a Barra da Tijuca, Jacarepaguá, a Ilha do Governador e a Baixada Fluminense. Ele associa essa expansão à popularização do chamado “forró universitário”, que ampliou o público e os espaços de apresentação. No entanto, também observa que, nos anos seguintes, ocorreu uma retração da cena, marcada pelo fechamento ou pela mudança de perfil de muitas casas tradicionais de forró. O sanfoneiro indica que, atualmente, as oportunidades de trabalho concentram-se principalmente no período das festas juninas, caracterizado como a “safra” do forró, enquanto o restante do ano é descrito como uma “entressafra”, com poucas apresentações.
Fidélis também aponta como questão central a desvalorização do trabalho dos músicos, destacando os cachês baixos e a ausência de critérios mínimos de remuneração, fatores que, em sua avaliação, fragilizam a cena do forró fluminense.
Transmissão de saberes
Fidélis transmite seus saberes principalmente por meio da oralidade e da convivência com outros artistas. Um dos seus grandes aprendizes é o filho e também forrozeiro, Marcelo Mimoso, que recebeu muitas influências do pai ao longo da vida.




