Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Cláudio Macau
Data de nascimento
15 de dezembro de 1961
História de vida
Luiz Cláudio Chagas de Assumpção, conhecido como Cláudio Macau, nasceu em 15 de dezembro de 1961, no bairro do Cupido, em Miguel Pereira, poucos anos após a emancipação do município. Filho de Aurora Chagas e Manoel Gomes de Assumpção, músico, barbeiro e um dos emancipadores da cidade, cresceu em um ambiente fortemente ligado à música e à vida cultural local.
Apesar da influência familiar, iniciou sua trajetória musical de forma independente, sem apoio direto, desenvolvendo-se como autodidata. Nos primeiros anos, teve contato com diferentes gêneros, como samba, choro e blues, antes de se aproximar mais profundamente das práticas ligadas à cultura nordestina.
Até a juventude, sua vida esteve concentrada na região de Miguel Pereira e Pati do Alferes. Após o casamento, mudou-se para Pati e, posteriormente, para Cabo Frio. Nos anos 1990, vivenciou uma experiência marcante ao migrar para São Paulo, estabelecendo-se em Diadema, onde enfrentou dificuldades financeiras e passou a atuar como músico em bares para garantir sua sobrevivência.
Foi nesse contexto que aprofundou sua relação com o forró, impulsionado tanto pela demanda do público quanto pela convivência com músicos e com a forte presença da cultura nordestina na região. A necessidade de adaptação ao mercado e ao público local o levou a incorporar de forma mais consistente o repertório de Luiz Gonzaga e outros artistas do gênero, consolidando essa prática em sua trajetória musical.
Retornou à região serrana do Rio de Janeiro em 1999, passando a atuar de forma mais estruturada na cena cultural local. A partir desse momento, consolida-se como músico, compositor e articulador cultural, desenvolvendo projetos autorais e contribuindo para a valorização do forró na região.
Paralelamente, há mais de duas décadas atua como professor de música no CEP (Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais), onde integra conteúdos relacionados à história de Luiz Gonzaga, ao forró e às matrizes culturais brasileiras ao projeto pedagógico, trabalhando com crianças e jovens de forma contínua.
Ao longo de sua trajetória, sua atuação combina prática artística, ensino e produção cultural, mantendo relação direta com o território e contribuindo para a formação e circulação da cultura do forró na região do Vale do Café.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
líder da banda “Trincaferro”, organizando a atuação do grupo em apresentações, ensaios e projetos musicais, sendo responsável pela articulação entre músicos, repertório e dinâmica de palco. Sua atuação em rede se estrutura principalmente na relação contínua com artistas e músicos da região do Vale do Café, com quem realiza parcerias frequentes em shows, gravações e projetos culturais.
Mantém uma rede ativa com músicos e mestres locais, como Guilherme (Grupo Caipura), Paulinho Paulo D’Ávila, Vantuir e João Massambará, com quem compartilha experiências musicais, repertórios e formações de banda. Essas relações se materializam na participação conjunta em apresentações, gravações de discos e circulação em eventos regionais, com troca direta de conhecimento e apoio mútuo entre os músicos.
No processo de produção do bem cultural, essa rede funciona de forma colaborativa, envolvendo divisão de funções entre os integrantes — desde a execução musical até a organização de apresentações — sem estrutura formal de produção. O próprio artista assume, em muitos casos, o papel de produtor, articulando contatos, negociando cachês e organizando os eventos, o que exige uma atuação integrada entre os membros da rede.
Além disso, atua como articulador da classe artística local, defendendo a valorização do trabalho dos músicos e a melhoria dos cachês na região. Nesse sentido, sua atuação ultrapassa a dimensão artística, envolvendo também negociação com contratantes e posicionamento em relação às condições de trabalho, influenciando diretamente o funcionamento da rede de músicos.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Compositor, instrumentista, intérprete, produtor cultural e educador, Cláudio Macau atua de forma integrada na criação, execução e difusão da música, especialmente no universo do forró e das culturas populares. Sua atuação envolve desde a composição autoral e performance em palco até a organização de projetos culturais, produção de eventos e formação de novos músicos por meio do ensino.
Aprendizado do bem
O aprendizado das práticas culturais ocorreu de forma autodidata e na vivência direta com músicos e referências da região. Apesar da influência inicial do pai, que tocava violão e participava de manifestações como a Folia de Reis, sua formação musical se desenvolveu sem orientação formal, construída a partir da prática e da experiência cotidiana.
Um marco importante nesse processo foi o contato com Jorge Gonzaga, artista que atuava com elementos da cultura nordestina, como o boi-bumbá do Maranhão. A convivência com ele foi decisiva para o aprofundamento no universo das culturas populares, especialmente pela participação em apresentações e viagens com o grupo, que permitiram o contato direto com repertórios, encenação e práticas culturais.
Durante o período em São Paulo, especialmente em Diadema, seu aprendizado se intensificou pela necessidade de atuação profissional como músico. Tocando em bares, passou a incorporar o repertório de forró a partir da demanda do público, aprofundando o conhecimento de artistas como Luiz Gonzaga e estruturando sua prática dentro desse gênero. Nesse contexto, também estabelece parcerias com músicos locais, como Alexandre Machado, ampliando sua experiência musical.
Além disso, destaca a influência de músicos da região do Vale do Café, como Guilherme, Vantuir e João Massambará, com quem compartilha experiências em apresentações e gravações, consolidando um aprendizado contínuo baseado na troca entre músicos.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
A relação do bem cultural com o lugar se constrói diretamente a partir da atuação de Cláudio Macau nos espaços culturais e comunitários da região de Miguel Pereira e Pati do Alferes, onde desenvolve suas atividades musicais e educativas. Esses territórios constituem o principal circuito de prática do forró em sua trajetória, incluindo praças públicas, associações de moradores, festas locais e eventos comunitários.
Espaços como a Praça Jorge Abdul, a feira de Pati do Alferes e a Associação de Moradores de Palmares são locais recorrentes de apresentação e circulação do forró, onde o repertório é executado diretamente para a população local. Esses ambientes funcionam como pontos de encontro entre músicos e público, mantendo a prática do gênero em contextos de convivência coletiva.
Além disso, sua atuação no CEP (Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais) estabelece uma relação direta entre o bem cultural e o espaço educativo, integrando o forró, a história de Luiz Gonzaga e outras manifestações culturais ao cotidiano escolar. Nesse contexto, o lugar deixa de ser apenas espaço de apresentação e passa a ser também espaço de formação.
Transmissão de saberes
A transmissão de saberes ocorre de forma estruturada e contínua por meio de sua atuação como professor de música há mais de 20 anos no CEP (Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais), onde integra o ensino das práticas culturais ao projeto pedagógico da escola. Nesse contexto, trabalha diretamente com crianças e jovens, utilizando o forró e outras manifestações culturais como instrumento de formação musical e cultural.
O processo de ensino se dá por meio de aulas práticas, workshops, contação de histórias e aulas-show, nas quais apresenta os elementos do forró, incluindo a organologia do gênero — como zabumba, triângulo e sanfona — além de repertórios e referências fundamentais. Nessas atividades, também aborda a trajetória de Luiz Gonzaga e de outros artistas, como Alceu Valença, articulando música, história e contexto cultural.
A transmissão ocorre de forma dinâmica e participativa, com os alunos aprendendo por meio da prática musical, do canto, da escuta e da experimentação corporal, incluindo dança e ritmos associados ao forró e a outras matrizes nordestinas. Esse processo é inserido no cotidiano escolar, especialmente em projetos temáticos, permitindo que os alunos tenham contato progressivo com os conteúdos, desde noções básicas até práticas mais desenvolvidas.
Além do ambiente formal de ensino, esse conhecimento também é compartilhado em apresentações e atividades culturais na região, onde alunos e comunidade entram em contato com essas práticas, ampliando o alcance da transmissão para além da escola.
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Recebeu incentivos fundamentais através das leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, que permitiram gravações de alta qualidade de seus projetos autorais (como o álbum Cantos e Contos). Também se remunera através de cachês em apresentações públicas e privadas




