Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Sebastião Manoel da Rocha
História de vida
Nascido em 1945 no município de Chiador (MG), Sebastião mudou-se com a família para São Paulo aos cinco anos de idade, quando seu pai, um boiadeiro e domador de animais, passou a trabalhar em fazendas da região de São José do Barreiro. Nessa área rural, cresceu convivendo com a música sertaneja de raiz e com a cultura caipira. De início, aprendeu a tocar viola e violão. Posteriormente, adquiriu uma sanfona de oito baixos, instrumento com o qual começou a tocar calango e participar de rodas musicais. Com o desejo de ampliar essa atuação, adotou a sanfona de 120 baixos, o que lhe permitiu acompanhar duplas sertanejas, tocar em quadrilhas e conduzir bailes. Ao longo da juventude, foi violeiro de uma dupla com o irmão, que tocava violão, chamada Coleiro e Coleirinho. Juntos, se apresentaram em exposições agropecuárias e foram incentivados por Moreno e Moreninho a realizar gravações, mas o projeto não se concretizou em razão do encerramento da parceria. Após o fim da dupla, por volta de 1980, Sebastião passou a se dedicar à carreira solo como sanfoneiro. O mineiro foi incorporando influências do forró, especialmente ao perceber a crescente receptividade do público para o pé de serra. Desde então, seu trabalho ocorre em festas juninas, bailes, fazendas e eventos culturais no Rio de Janeiro, sobretudo em Areal e Itaipava. Durante a sua carreira, já esteve com Moreno e Moreninho, Goianito e Goianá, Tiãozinho, Claudinei e demais referências. Como uma pessoa canhota, desenvolveu uma forma particular de tocar sanfona: posicionando o instrumento "de cabeça para baixo". Isto é, invertendo a sua posição original. Em 2001, após um grave acidente de trabalho com uma empilhadeira paulista, Canhotinho precisou amputar a perna e, portanto, apresenta-se com a sanfona sentado. Atualmente, também une o forró à influências religiosas, tocando o que denomina de "forró gospel" em igrejas e eventos evangélicos do estado.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Sebastião é sanfoneiro, cantor e compositor, atuando em bailes e festas de forró, onde realiza apresentações que alcançam até oito horas consecutivas. Seu repertório abarca o forró pé de serra, músicas sertanejas e caipiras e, mais recentemente, composições religiosas. Algumas das suas principais referências são Carreiro e Pardinho, Trio Parada Dura, Tonico e Tinoco, Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Sivuca.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Em relação à cena do forró no estado do Rio de Janeiro, o artista destaca a forte presença das festas juninas e dos bailes populares na Região Serrana, especialmente em Areal, Itaipava e localidades vizinhas, com destaque aos espaços rurais. Ele também percebe um crescimento do forró pé de serra em relação à música sertaneja tradicional, iluminado pela adesão do público ao longo dos anos.
Aprendizado do bem
Canhotinho aprendeu a tocar sanfona a partir da convivência com demais músicos que encontrava em festas e vizinhanças ao longo da juventude. Durante esse processo, desenvolveu sua própria maneira de manusear o instrumento com a mão esquerda. Enquanto a maioria dos sanfoneiros utiliza o teclado melódico do lado direito e os baixos do lado esquerdo, Sebastião realiza o movimento inverso. Ele explica que “o que vocês fazem subindo, eu faço descendo”, referindo-se à baixaria e ao teclado. Essa característica se tornou uma marca de sua identidade artística e causa surpresa entre músicos e públicos que o assistem.
Transmissão de saberes
O sanfoneiro compartilha os seus conhecimentos com diversas pessoas interessadas em aprender a tocar o instrumento, utilizando sua própria casa e igrejas. Nesses momentos, prioriza a posição convencional da sanfona para ensinar alunos destros. Ademais, busca incentivar a continuidade da tradição musical em sua família: seu filho, Henrique do Forró, é tecladista, enquanto o neto, ainda criança, já está conhecendo uma pequena sanfona de oito baixos.




