Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Elisabeth Silva
Data de nascimento
5 de novembro de 1969
História de vida
Elizabeth Silva Dac, conhecida artisticamente como Beth Fênix do Forró, nasceu em 5 de novembro de 1969, em Garanhuns, Pernambuco. Filha de Antônio Francisco da Silva, poeta que fazia serenatas, e de Antônia Márcia da Silva, costureira, cresceu em um ambiente em que a música fazia parte da vida cotidiana. Desde cedo, associou o canto a uma forma de expressão e de enfrentamento da vida, relação que mais tarde se tornaria central em sua trajetória.
Aos 17 anos, saiu de Pernambuco em busca de trabalho, passou por São Paulo e depois retornou ao Rio de Janeiro, onde construiu grande parte de sua vida adulta. Casou-se cedo e permaneceu por dezoito anos dedicada à casa e à família. Foi após a separação que decidiu investir no canto, num momento em que precisava reorganizar a própria vida e encontrar um novo caminho. O incentivo do filho foi decisivo nesse processo: foi ele quem a encorajou a cantar profissionalmente e também quem escolheu o nome artístico Fênix do Forró, ligado à ideia de renascimento.
A partir daí, Beth passou a construir sua carreira com esforço próprio, divulgando seu trabalho, buscando shows e circulando entre o Rio de Janeiro e o Nordeste. A Feira de São Cristóvão teve papel importante nesse percurso, por ampliar sua visibilidade e abrir novas oportunidades. No Nordeste, consolidou parte importante de seu reconhecimento com apresentações em cidades do interior, em vaquejadas e no circuito junino, incluindo o São João de Campina Grande. Além da música, mantém uma loja de havaianas personalizadas, atividade que ajuda a sustentar sua rotina de trabalho e seus investimentos na carreira artística. Sua história de vida é marcada por deslocamento, recomeço, autonomia e pela decisão de transformar o forró em caminho de trabalho e afirmação pessoal.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede de Beth Fênix do Forró é construída principalmente por meio de contatos diretos feitos por ela mesma, tanto no Rio de Janeiro quanto no Nordeste. Como trabalha sem empresário e sem banda fixa, é ela quem articula boa parte da própria circulação: vende shows, se apresenta, entrega material, procura prefeituras e mantém contato com pessoas que ajudam a divulgar seu trabalho. Essa rede envolve produtores, artistas, comunicadores, radialistas, organizadores de eventos e amizades feitas ao longo das apresentações.
No Rio de Janeiro, a Feira de São Cristóvão ocupa lugar central nessa articulação. Beth atribui à feira um papel decisivo em sua trajetória e cita o apoio de Rodrigo, ligado à Alex Produções, que a levou para cantar nesse espaço, e de Cristina, da banda Impacto Show, apontada por ela como a primeira pessoa a incentivá-la de forma mais concreta a seguir como cantora no Rio de Janeiro. A partir dessa apresentação, sua visibilidade aumentou e surgiram novos convites, inclusive para cantar em Campina Grande, mostrando como a feira funciona, no seu percurso, como ponto de encontro, vitrine e espaço de projeção.
No Nordeste, essa rede se amplia por meio da divulgação local e do contato com agentes públicos e comunicadores. Beth relata que, quando chega a uma cidade, costuma separar um dia para ir à prefeitura, conversar com pessoas responsáveis e apresentar pessoalmente seu trabalho. Também menciona a importância de pessoas e meios de divulgação que ajudam a espalhar seus vídeos e fortalecer seu nome, como a TV Moreno, no Recife, a Rádio Marano, em Garanhuns, e Marcelo da Hora, em Fortaleza. Além disso, faz amizade nas cidades por onde passa e usa essas relações para ampliar convites e manter sua circulação em festas, shows e eventos ligados ao forró.
Sua rede também inclui parcerias ligadas ao repertório e à gravação. Beth recebe músicas de outras pessoas e cita, por exemplo, Ana Paula Piqueno, compositora de uma música voltada ao universo da vaquejada, além de contatos com músicos e compositores do Rio de Janeiro e de Fortaleza. Menciona ainda gravações feitas com Alexa Lopes, em Minas Gerais, e a busca por novas músicas no Nordeste, onde afirma ter pessoas aguardando sua chegada com composições. Nesse sentido, a rede não se limita à contratação de shows, mas envolve circulação de repertório, gravações, vídeos e divulgação.
Apesar dessa articulação, os custos e benefícios materiais não aparecem como algo repartido de forma estável. Beth afirma que grande parte do investimento sai dela própria: viagens, figurino, gravações, divulgação e deslocamentos. Chegou a vender o acordeon para conseguir ir ao São João de Campina Grande, onde permaneceu alguns dias fazendo contatos e entregando CDs. Também mantém uma loja de havaianas personalizadas, atividade que ajuda a sustentar parte da carreira. Assim, sua atuação em rede depende fortemente de relações construídas na prática, da ajuda de divulgadores, da circulação entre cidades e da capacidade de transformar essas conexões em oportunidades concretas de trabalho.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Atua como cantora de forró e também toca acordeon, instrumento com o qual mantém uma relação de aprendizado e identificação. Sua atuação se dá por meio de shows, gravações e circulação em eventos ligados ao gênero, tanto no Rio de Janeiro quanto no Nordeste. Também trabalha na divulgação do próprio repertório, recebe músicas de parceiros para gravação e mantém presença em espaços importantes do forró, como a Feira de São Cristóvão, festas, vaquejadas e circuitos juninos.
Aprendizado do bem
eu aprendizado do forró se deu desde a infância, no convívio familiar e no ambiente cultural nordestino em que cresceu. Filha de um poeta que fazia serenatas, desenvolveu desde cedo uma relação próxima com a música, com o canto e com referências próprias do universo nordestino. Esse aprendizado também se formou pela escuta, pela vivência em lugares onde o forró está presente no cotidiano e, mais tarde, pela prática artística, pelas apresentações e pelas aulas de acordeon que fez na Feira de São Cristóvão.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Na trajetória de Beth Fênix do Forró, o forró está ligado de forma direta tanto ao Nordeste quanto ao Rio de Janeiro. Pernambuco aparece como lugar de origem, de referência cultural e de fortalecimento de sua atuação, já que é lá que ela diz ter levantado seu nome e onde encontra maior reconhecimento, mais circulação e cachês melhores. É também no Nordeste que se concentram parte importante de suas apresentações, como shows em cidades do interior, vaquejadas, o São João de Campina Grande, além de passagens por lugares como Garanhuns, Orobó, Arcoverde e Fortaleza. Nesses contextos, o forró aparece associado à vida cotidiana, à presença constante da música e ao contato mais direto com instrumentos, festas e públicos ligados ao gênero.
No Rio de Janeiro, a relação com o bem cultural se dá principalmente pela circulação em espaços que reúnem e projetam a cultura nordestina. A Feira de São Cristóvão ocupa lugar central nesse percurso, sendo apontada por ela como uma vitrine decisiva para sua carreira. Foi ali que ganhou visibilidade, ampliou sua rede de contatos e abriu caminhos para novas apresentações, inclusive no Nordeste. Também menciona apresentações na Rocinha e em outros espaços da cidade, mostrando que o forró, no seu caso, se realiza como prática que conecta territórios, públicos e experiências entre o Rio e o Nordeste.
Transmissão de saberes
A transmissão do saber sobre o forró, em sua trajetória, acontece principalmente por meio das apresentações, da circulação em festas e eventos e do contato com outras pessoas nos espaços onde atua. Ao cantar, levar repertório de forró para diferentes públicos e manter presença em lugares como a Feira de São Cristóvão, vaquejadas e festas no Nordeste, contribui para manter o gênero em circulação e para ampliar o contato de outras pessoas com essa prática cultural. Essa transmissão também se dá nas trocas com artistas, músicos, compositores e públicos com quem convive ao longo de sua trajetória.




