Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Cândido Neto
História de vida
Cândido Neto é natural de São Fidélis, no interior do Rio de Janeiro, e mais tarde se estabeleceu em Teresópolis, onde construiu uma trajetória fortemente ligada à música e à valorização do acordeon. O primeiro contato dele com a música aconteceu ainda na infância, quando começou a tocar flauta doce aos 8 anos, aprendendo de forma autodidata com o manual do instrumento e muito de ouvido.
Depois, ainda jovem, passou para o acordeon, por volta dos 12 anos, e aos 14 anos integrou a banda 22 de Outubro, em São Fidélis, onde tocou sax tenor. Foi nesse ambiente de banda que ele aprendeu notação musical. Mesmo assim, sua formação no acordeon não se deu por ensino formal contínuo: ele próprio diz que não teve um professor de acordeon de fato, desenvolvendo-se de maneira muito intuitiva, com pouca orientação e muito esforço próprio.
Em 2000, Cândido chegou a Teresópolis para atuar como professor da rede municipal. Já instalado na cidade, começou a perceber a presença de sanfoneiros e a possibilidade de criar um espaço de encontro e valorização desse universo musical. Dessa percepção nasceu a ideia do Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis, que ele concebeu e articulou junto ao Sesc. O primeiro encontro aconteceu em 2006, e a partir de 2008 ele passou a assumir diretamente a produção do evento, transformando-o em uma referência cultural importante na região serrana.
Ao longo dos anos, Cândido se tornou uma figura central na preservação e dinamização da cultura da sanfona em Teresópolis. O encontro cresceu, reuniu sanfoneiros tradicionais, artistas convidados, oficinas, shows, lançamentos de livros e filmes, e consolidou-se como um espaço de formação, memória e circulação cultural. Mesmo quando o evento perdeu força institucional e deixou de acontecer regularmente, ele continuou sendo uma referência local nesse campo.
Paralelamente à atuação como articulador cultural, Cândido também manteve sua prática musical. Ele se define прежде de tudo como professor, não como músico profissional em tempo integral, mas realiza apresentações especialmente em festas juninas, eventos particulares e celebrações ligadas ao repertório tradicional nordestino e brasileiro, com foco em Luiz Gonzaga, marchinhas, xotes, baiões, xaxados e músicas de raiz. Seu trabalho musical está ligado menos ao mercado comercial e mais a uma atuação de preservação cultural e de continuidade de uma tradição.
Hoje, a trajetória de Cândido reúne três dimensões muito marcantes: a formação autodidata e afetiva com a música, a docência como profissão principal e o compromisso com a memória e a valorização da sanfona e do forró em Teresópolis. A história dele é, portanto, a de alguém que transformou uma experiência pessoal com a música em ação cultural concreta, criando vínculos entre tradição, ensino e vida comunitária.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede relacionada ao trabalho de Cândido Neto se organiza principalmente a partir da articulação entre sanfoneiros, percussionistas, produtores culturais, instituições locais e espaços de circulação cultural em Teresópolis e na região serrana do Rio de Janeiro. Essa rede foi construída de forma gradual, combinando relações pessoais, vínculos profissionais e iniciativas de valorização do acordeon e do forró. Um dos principais núcleos dessa articulação foi o Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis, idealizado por Cândido e desenvolvido inicialmente em parceria com o Sesc, reunindo músicos locais, artistas convidados, equipes de produção, mediadores culturais, oficineiros, pesquisadores e público. A rede funcionava tanto na organização do evento quanto na mobilização de participantes e na circulação de repertórios, saberes e contatos entre diferentes gerações de sanfoneiros.
No plano das pessoas, essa rede envolve sanfoneiros mais antigos e mais jovens, músicos acompanhantes, produtores e agentes culturais da cidade e de municípios vizinhos. Cândido cita, por exemplo, sanfoneiros como Seu Timbira, Edson do Acordeon, José Lopes, Batista do Forró e Heraldo Rabelo, além de músicos com quem compartilha apresentações e articulações locais. Também menciona a importância de nomes como Roberta Consorte e Silvane Pereira na viabilização institucional do Encontro de Sanfoneiros, assim como a participação de artistas convidados, pesquisadores e músicos de outras cidades, que ampliavam a rede para além do município. Há ainda uma rede de trabalho formada pelos percussionistas e acompanhantes com quem ele toca em festas e eventos, como Zé Luiz, Genaro e Tião, mostrando que a realização musical depende da colaboração entre diferentes funções e da confiança construída ao longo do tempo.
Essa articulação em rede se dá em várias etapas da produção do bem cultural. Há uma etapa de mobilização e convite, em que os participantes são chamados com base em relações de reconhecimento e convivência no meio musical. Há também a etapa de organização e produção dos eventos, que envolve negociação com instituições, definição de programação, estrutura de som, montagem de palco, deslocamento de músicos, preparação de oficinas e apresentações. Durante os encontros, a rede também atua como espaço de transmissão e intercâmbio, porque os sanfoneiros não apenas se apresentam, mas compartilham repertórios, modos de tocar, histórias de vida, contatos e referências. Em alguns casos, o trabalho coletivo inclui a participação em apresentações conjuntas, formações de trio, rodas e momentos em que vários sanfoneiros tocam juntos, reforçando a dimensão colaborativa da prática.
A rede também tem uma função importante de sustentação econômica e de circulação de oportunidades. Embora nem sempre os benefícios materiais sejam formalmente compartilhados entre todos, existe uma dinâmica de indicação mútua, troca de contatos e encaminhamento de trabalhos. Cândido relata, por exemplo, que ele e Félix do Forró trocam indicações de apresentações quando um não pode atender determinada demanda. Esse tipo de parceria mostra que a rede não funciona apenas como espaço simbólico de convivência, mas também como meio concreto de geração de trabalho e manutenção da atividade musical. Os músicos acompanhantes também circulam entre diferentes sanfoneiros, o que demonstra uma rede de colaboração baseada em confiança, experiência compartilhada e continuidade profissional.
Além disso, há itens que dependem claramente de organização e produção coletiva, como a realização de festivais, oficinas, shows didáticos, apresentações em escolas, exibição de filmes, lançamentos de livros e intervenções em espaços públicos. Essas ações não se realizam de forma individual, pois exigem coordenação entre artistas, instituições, técnicos, produtores e apoiadores locais. Mesmo nas festas particulares e apresentações menores, a execução do forró tradicional envolve trabalho conjunto entre sanfona, zabumba e outros acompanhantes, além de negociação prévia com contratantes e adequação do repertório ao contexto. Assim, a rede opera tanto em grandes eventos quanto em circuitos mais cotidianos de apresentação.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Atua como sanfoneiro e cantor, realizando apresentações principalmente em festas juninas e eventos particulares. Seu repertório é centrado no forró tradicional, com ênfase em baião, xote, xaxado, marchinhas, músicas de Luiz Gonzaga e outras canções da música brasileira adaptadas ao ritmo de forró.
Aprendizado do bem
Cândido aprendeu o bem de forma predominantemente autodidata. Iniciou-se na música ainda criança, tocando flauta doce de ouvido, e depois passou para o acordeon, por volta dos 12 anos. Teve contato com a notação musical na banda 22 de Outubro, em São Fidélis, onde tocou sax tenor, mas no acordeon não contou com formação formal contínua, desenvolvendo-se principalmente pela escuta, pela prática e pelo esforço próprio. Mais tarde, já em Teresópolis, aprofundou sua relação com o instrumento e com o forró por meio da atuação no Encontro de Sanfoneiros.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
A relação do bem cultural com o lugar, no caso de Cândido, está diretamente ligada a Teresópolis e à região serrana do Rio de Janeiro, onde ele desenvolveu sua atuação como sanfoneiro e articulador cultural. Foi na cidade, onde passou a viver a partir de 2000, que ele identificou a presença de outros sanfoneiros e idealizou o Encontro de Sanfoneiros de Teresópolis, criando um espaço de valorização da sanfona e do forró.
As práticas culturais associadas ao bem acontecem em diferentes espaços da cidade, como a Calçada da Fama, o Sesc Teresópolis, o Sesc Café, escolas, praças, rodoviária e outros locais de circulação pública. Além disso, o forró e a sanfona também se realizam em festas juninas, festas particulares e eventos comunitários, mantendo forte vínculo com a vida cultural e festiva local.
Essa relação com o lugar não é apenas física, mas também simbólica, porque Teresópolis se tornou um espaço de encontro, memória e circulação de saberes ligados à sanfona. É nesse contexto que o bem cultural ganha continuidade, visibilidade e reconhecimento.




