Informações
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Descrição e relevância do território
Trancoso originou-se de uma das nove aldeias jesuítas que, no século xvi, foram instaladas na região como estratégia de ocupação, para abastecimento e defesa da costa brasileira. Originariamente denominada aldeia de joão batista, reunia cerca de 500 índios tupiniquins catequizados. No século xviii, com a expulsão dos jesuítas promovida pelo marquês de pombal em portugal e no brasil, a aldeia foi elevada a vila (alvará régio de 1759). Posteriormente, em 1795, foi qualificada como freguesia, passando à categoria de município em 1906, para transformar-se em distrito de porto seguro em 1927. Após um período – 1953 a 1998 – em que teve sua sede distrital transferida para caraíva, voltou ao status anterior, permanecendo hoje distrito de porto seguro. O plano urbano desenvolveu-se a partir do antigo colégio jesuíta, transformado em igreja matriz no século xviii, com dois agrupamentos paralelos de casas que terminam no lado oposto à igreja, onde outrora existia a casa de câmara e cadeia. Esse conjunto, hoje denominado quadrado, forma uma grande área central, com uma praça contendo um cruzeiro próximo à igreja. Essa mesma praça abrigava também o pelourinho, ativo até o século xix, que ficava mais distante da igreja e próximo à câmara. Um relato de 1803 aponta a existência de “62 casas, das quais 14 de telha e as mais de palha”. Aires de cabral, em sua corografia brasílica, publicado em 1817, afirma: “trancoso é vila pequena e bem situada junto à boca duma ribeira. A matriz é dedicada a s. João batista , e seus habitantes quase geralmente andrade e arantes ltda – consultoria e projetos culturais página 2 de 6 índios cultivadores de algodão, e mandioca , e também pescadores”. Mas é o príncipe maximiliano de wied-neuwied(1) quem, na mesma ocasião, descreve o local com suas qualidades de artista plástico e precisão de naturalista: “em 1813, a vila possuía cerca de 50 casas e 500 habitantes, todos índios, muitos dos quais de tez bronzeada muito escura, pois bem poucas famílias de portugueses aí residem, entre estes o padre, o escrivão e um mercador. As casas, então, estavam na maior parte vazias, porque os moradores vivem nas roças e se limitam a vir à igreja nos domingos e dias santos. Exportam perto de 1 000 alqueires de farinha de mandioca, um pouco de algodão e diversos produtos da floresta , entre estes, toras de pau, gamelas e canoas, além de alguma embira e estopa (...) a pesca também é uma das atividades essenciais desses índios , no bom tempo saem a pescar mar afora, nas canoas (...) cria-se algum gado nas colinas de trancoso, e o escrivão, sobretudo, possui um grande rebanho (...) a situação de trancoso é deveras aprazível: da extremidade da íngreme eminência, perto da igreja, dominávamos amplo panorama do plácido espelho azul-escuro e rebrilhante do oceano , o encontro agora muito nítido, da água verde do mar com a pardacenta do rio dava especial encanto ao quadro. Os soberbos penachos dos altos coqueiros ondeavam sobre as cabanas acachapadas dos índios e, em redor, o campo verdejava. Todos esses planaltos e carrascais são entrecortados de vales profundos, alguns dos quais de considerável largura , no meio deles o conjunto parece uma planície ininterrupta , só de suas bordas se percebem os valados (...) por trás de trancoso, as florestas mais distantes são habitadas pelos patachós. O senhor padre inácio, o velho e digno sacerdote local, disse-me que esses aborígenes aparecem muitas vezes na vila , vêm sempre completamente nus, e, se ele manda amarrar um lenço em torno da cintura das mulheres, nunca deixam de arrancá-lo imediatamente”. A vida em trancoso, ao longo dos séculos, organizou-se com base nas relações de seus moradores com o litoral (pesca) e principalmente com o interior (roças, casas de farinha e extrativismo nas matas). As principais atividades econômicas do século xviii estavam ligadas ao comércio de farinha e de madeira praticado em porto seguro. No século xix, período de desenvolvimento local, os habitantes de trancoso foram sustentados pela lavoura de cana de açúcar, de cereais e pela extração de madeira e piaçaba. O declínio das atividades econômicas nas primeiras décadas do século xx conduziu trancoso à decadência e, conseqüentemente, à perda de sua autonomia administrativa: em 1927 foi incorporado ao município de porto seguro na qualidade de distrito. Essa decadência refletia-se no abandono da praça do quadrado, praticamente desaparecida, inteiramente coberta pelo mato, deixando apenas a passagem diante das casas, como se fossem ruas de cada lado do largo. Tal situação mudou em 1968, quando a praça foi limpa para ali se estabelecerem dois campos com traves para a prática do futebol. Até hoje estes funcionam diariamente, no final da tarde, atraindo e alegrando os jovens moradores do centro e dos bairros e desagradando alguns turistas que, nas temporadas, procuram no local o sossego bucólico do entardecer. Com a aproximação dos festejos do v centenário do descobrimento, como nas demais localidades da região, o turismo vem se intensificando, criando novos hábitos e programas sociais para a localidade. Um deles foi a demarcação espontânea de um trecho delimitado na praia para a prática do nudismo. Outro é a sofisticação praticada em alguns estabelecimentos de lanches ou refeições, com a venda de iguarias, por exemplo, da gastronomia européia e de fusão, contrastando com a comida regional. Notas: (1) maximiliano, príncipe de wied-neuwied, viagem ao brasil. São paulo: itatiaia/edusp, 1989. Relato de viagem científica realizada de 1815 a 1817.
Localização
Paisagem e meio ambiente
A grande praça atualmente denominada quadrado é o sítio original da vila de trancoso. Localiza-se num platô a nordeste do rio de mesmo nome e próximo ao mar, sobre uma falésia, o que permite uma visão deslumbrante do mar e da vegetação circundante. Nesta região, as praias de mar aberto, com ondas fortes, são cortadas por pequenos rios onde se encontram manguezais. Destacam-se as praias de: rio da barra, trancoso, pedra grande.

