Informações
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Nome completo
Giovanni
História de vida
Giovanni começou a trabalhar com madeira aos 14 anos de idade na oficina de seu pai. Passou por diferentes oficinas até se fixar no ramo de restauração de portas e esquadrias. “hoje minha oficina fica onde eu estou. Durante um tempo eu trabalhei na oficina do meu pai, depois comecei a trabalhar numa oficina improvisada em minha casa.” normalmente os trabalhos de restauração em carpintaria se desenvolvem dentro da própria obra.
Localização
Aprendizado do bem
Juntamente com os irmãos gilmar e genivaldo júnior, aprendeu o ofício de marcenaria com o pai, seu genivaldo santos da silva, que atualmente exerce a profissão de torneiro mecânico em recife, mas desde pequeno teve contato com a serralheria do tio, vivência que acabou por influenciar na sua formação como marceneiro. “do meu tio eu tenho a lembrança da serraria e de um depósito que ele tinha na casa dele e eu quando menino estava sempre por lá e já achava tudo grande, diferente, e aos 10 anos de idade eu já andava junto com papai, que me levava junto pra passear na oficina e me colocava pra ficar marcando o centro das madeiras alí. Então comecei assim, ia pra oficina pra passear, mas como não tinha nada pra fazer, ele me botava pra sentar e ficava marcando o centro da madeira pra facilitar o trabalho dele. Comecei a me envolver com madeira nesse sentido. Já que ele era torneiro, eu marcava o centro da madeira pra ele tornear. Embora eu torneasse pouco, porque me parece que não me descobri muito como torneiro, porque eu não consigo ficar muito tempo parado fazendo as coisas num lugar só. Eu acho uma profissão muito bonita, a do torneiro, mas não consigo ficar num espaço de um metro só, embora esteja fazendo diversas coisas. Eu gosto mais de agilidade, de andar um pouco mais... Foi aí que eu segui para a marcenaria, fazendo um trabalho mais dinâmico. Comecei então aqui na oficina do meu pai, trabalhando pra mim mesmo... Depois segui para trabalhar em algumas empresas e até trabalhei em casa uns dois, três anos trabalhando sozinho. E foi nesse tempo que fui convidado por essa ong para dar umas aulas e neste trabalho já estou há uns 6, 7 anos neste trabalho agora. Sempre com marcenaria, embora tenha variado dentro do ofício.” “eu acho que hoje eu devo meu aprendizado a meu pai. Foi com quem comecei a andar, a freqüentar as oficinas e daí fui tomando gosto pelo trabalho com a madeira. O pessoal às vezes critica um pouco, dizendo que a gente tem que estudar, mas trabalhando com madeira, se dedicando um pouquinho, com amor, com carinho, a gente consegue se destacar e conquistar alguma coisa e viver bem.” “quando eu tinha mais ou menos uns 13, 14 anos, eu quase que fiz um curso voltado para a área de ferro, mas conversando com as pessoas aqui e ali eu vi que não tinha nada a ver, pois a família toda trabalhava com madeira. Eu ia virar um estranho no ninho (risos). Fui então para a escola dom bosco de artes e ofícios, aqui em recife, e foi bom para mim porque tinha já alguma facilidade, porque conhecia o universo da madeira, as ferramentas, conhecia a serra, que é uma máquina elementar dentro de uma oficina de madeira, conhecia o torno, sabia tornear, embora sem ser um torneiro. Aprendi também com um livro de técnicas em madeira que meu pai me deu, antes do curso, um livro que ele comprou num sebo, e acabei ajudando o professor com esse livro (risos)... E depois disso tudo não teve mais como voltar. E depois que fiz o curso ganhei de presente de meu pai uma furadeira, que me serviu mais ainda de incentivo e ajudou a tomar gosto pela coisa. Tudo foi sem imposição, ele me incentivava. Acabei fazendo desse aprendizado o nosso sustento, o sustento da família.” (ele não recorda o nome do livro. O livro perdeu-se nas várias mudanças que o entrevistado realizou). “algumas coisas que aprendi eu devo a esse curso, como algumas técnicas específicas de utilização de ferramentas e dentre elas eu destaco a afiação das ferramentas. Porque a gente trabalha muito com as ferramentas e tem que tê-las sempre afiadas, porque senão você pode até se machucar, porque você sempre trabalha moldando a madeira... Então tem muitas informações que aprendi, como pegar uma planta e ver a escala... Isso tudo a gente pode fazer na oficina sem saber porquê que é assim, mas com o curso a gente sabe o que está fazendo. Então se hoje eu tenho essa clareza e esse conhecimento, eu tento passar aos alunos. Mas tem muita coisa que a gente aprende é no dia a dia da profissão mesmo.”
Transmissão de saberes
De acordo com giovanni, os cursos ministrados por ele no ctc têm um caráter voltado para a restauração, embora não se reduza a este universo de trabalho. “desse conjunto de cursos que ministrei nesses seis anos, o foco esteve sempre voltado para a área de restauração, que é um dos objetivos para o qual eles foram criados aqui no ctc. Mas a gente deu também cursos voltados para a área de carpintaria e também para uma marcenaria mais moderna, voltada para a construção de móveis modernos. Mas aqui no ctc estamos voltados para a formação de profissionais para a área de restauração.” questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe re 10 q60 11 “algumas vezes temos a oportunidade de colocar os alunos para trabalhar com a gente. Como os cursos estão voltados para alunos da periferia, que têm maior dificuldade para entrar no mercado de trabalho, algumas vezes temos a oportunidade de colocá-los para trabalhar por períodos de até 6 meses, oportunidade que muitos deles nunca tiveram. Muitos deles viram no restauro oportunidade de trabalhar e ganhar o seu dinheirinho, certinho, e se sentirem realizados, o que acaba possibilitando nos ajudarmos mutuamente.” o curso ministrado por giovanni na ong ctc são inteiramente dependentes de doações financeiras e de materiais de algumas instituições. Segundo ele, as disciplinas oferecidas se dividem entre aulas práticas e aulas teorias. As aulas práticas são ministradas em obras de restauração e os alunos participam de todas as atividades relacionadas a esta prática, como montagem, desmontagem e toda a restauração de portas e esquadrias. As aulas teóricas abrangem o ofício de marcenaria em especial e todo o universo da prática da restauração de patrimônios históricos, enfatizando a história e a situação a que se encontra o patrimônio remanescente da cidade de recife. Giovanni relata alguns trabalhos realizados em conjunto com os alunos em prédios e igrejas situados no bairro do recife antigo. Giovanni relata a história do filho que parece ter herdado da família a habilidade no trato com a madeira, mas que atualmente se dedica à mecânica de automóveis. Ele diz respeitar a escolha do filho apesar de reconhecer seu talento para lidar com o trabalho em madeira. “tenho três filhos, uma menina de 12, outra de 14 e um filho de 18. O menino chegou a trabalhar comigo na estação central de recife, por dois meses, mas ele gosta muito de mexer com automóveis, com a eletricidade de automóveis, fez até um curso. Mas eu deixei e não forcei sua permanência na minha área. Meu pai não me forçou e eu também não forcei... Ele fez um curso nessa área de automóveis, se destacou e foi contratado para trabalhar numa equipadora e está trabalhando até hoje. Ele leva muito jeito para o trabalho com madeira. Ele até se destacou entre pessoas que já tinham mais experiência na área de restauro. Acho que é por causa desse contato comigo, por conviver comigo neste ambiente ele desenvolveu uma habilidade muito boa, destacou-se muito. Mas ele preferiu levar a vida com automóveis e eu não interferi. Mas parece até que está no sangue a habilidade para mexer com madeira. A maneira como ele olhava, a sensibilidade... Parece que era muito mais do que eu falava e ensinava... Parece que era mesmo do sangue, alguma coisa que nasceu com ele, que eu passei de alguma forma através da genética mesmo, que não depende muito do que eu passei. Tanto que ele destacou-se que um arquiteto estava procurando por ele na obra, dizendo que tinha visto ele trabalhar e que ele parecia levar muito jeito, e eu sem saber que era meu filho que ele estava procurando (risos). Não digo que não vai voltar, mas ele está tentando outras experiências e eu respeito muito”. “as meninas é uma história, ainda estão muito jovens, nenhuma manifestou uma tendência profissional não. Estão estudando, uma dá mais trabalho que a outra. Não acharia estranho se elas fossem trabalhar com marcenaria. No curso que damos tem aprendizes mulheres. No próprio trabalho da gente tem uma mulher, tem uma outra, a izabel, que não está com a gente neste momento mas trabalha com a gente na área de restauração, tem auxiliadora que trabalha na área de ferragens. No universo de alunos tem muitas mulheres também trabalhando. Para mim seria uma surpresa grata, para mim seria até interessante [as filhas se interessarem por marcenaria]”. A atividade de ensino também representa para o entrevistado grande motivo de orgulho e satisfação: “eu não saberia dizer o tamanho do prazer que sinto com o trabalho de ensino, porque é mais voltado para o lado do restauro que foi uma coisa que me apaixonei, e ver pessoas tomar parte nessa história é muito gratificante. A grande vantagem disso tudo é que você está passando conhecimento para as pessoas e numa sala de aula tem 20 a 30 pessoas passando conhecimento pra você. é um desafio muito grande porque somos testados a todo o momento... A gente tem sempre que buscar um conhecimento a mais pra poder passar para as pessoas.”

