Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Binha
História de vida
A origem do entalhe na história de mestre rubem surge dentro da própria casa no aprendizado com o pai, benedito bernardino, e o irmão mais velho aluízio bernardino, posteriormente o mestre foi exercendo o ofício nos canteiros de obras de restauro do iphan, juntamente com seus respectivos parentes.
Localização
Aprendizado do bem
Do aprendizado do ofício dentro da família seu rubem relata: “o começo do meu pai (benedito bernardino da silva) nessa profissão... O começo eu não sei por que eu não era nascido, né? Entendeu? Mas vamos dizer assim: quando dr. Ayrton o convidou para joão pessoa, pra fazer o serviço em joão pessoa, na igreja de são francisco, aí ele levou o aluízio (irmão de mais velho de rubem). Aí começaram a trabalhar, quando ele viu que o serviço ia demorar, daí ele levou a família todinha, os filhos matricularam-se nas escolas lá. Eu era menino na época (lembra que tinha entre nove e onze anos), também entrei em escola lá e ele me botou no patrimônio, aí aprendi arte também, com ele e com o aluízio. O serviço de lá demorou muito. Acho que foi de nove a dez anos”. Sr. Rubem rememora: “quando eu fui pra joão pessoa (com o pai), acho que foi um ano e meio, mas quem sabe bem é o aluízio, às vezes ele sabe né? O ano. Eu fui menino pra lá, está entendendo? Aí meu pai falou pra me botar, meu pai dizia: ‘num é bom você ficar aqui no patrimônio não. Faça um curso aí fora, isso num tem futuro’, porque aquilo outro, aquele negócio né? Mas eu continuei, continuei, continuei, pai subiu, fico eu e aluízio. Aluízio ficou um tempão também, saiu da repartição, né? Eu continuei. Continuei viajando, viajando, viajando, fui esticando, esticando até que chegou à aposentadoria. Eu posso dizer que eu entrei criança nessa repartição. Entalhar eu aprendi ligeiro. Em pouco tempo, porque tinha quem ensinasse, né? Porque a vantagem foi essa, a gente aprendeu dentro do serviço, vamos dizer assim, numa escola para se ensinar entalhe, tem que se arrumar o quê? Madeira, a talha num é na madeira? O entalhador tem que ensinar o desenho de talha e o que a madeira, por exemplo, dá. O serviço foi vantagem por causa de quê? Porque no serviço a gente estava concertando, restaurando... Então era uma coisa para se ter a madeira, o material né? Isso já dava no serviço”. Sobre o tempo que levou para aprender o ofício, conta: “eu acho assim, eu com uns nove anos, dez anos, onze anos, eu já estava pela repartição. Eu comecei a levar café para pai. Porque o lugar que eu morava era perto da igreja de são francisco, morava num bairro que chamava rocha, pronto! Morava naquele bairro, aí minha mãe ficava assim, ‘vai levar café pro seu pai’, aí eu entrava pelo quintal e levava o cafezinho dele numa almofadazinha, fui me sacudindo na arte, ligeiramente comecei na arte, me tornei um pouco inteligente”. Seu rubem lembra que, “eu entrei no patrimônio pequenininho, limpando aquelas peça douradas. Porque é sujo, né? Fica muito tempo, fica sujo, né? Limpando, limpando, limpando... De primeiro a repartição mandava fazer umas ferramentas, parecendo uns canivetizinhos. Aí ia bem de levezinho assim, aí ia com pano. Hoje em dia é aqui tem uns processos mesmo que eles passam, né? Depois foi que entrei na parte de madeira mesmo, para aprender a arte a repartição dizia, ‘aproveita o máximo possível’ naquelas peças antigas. Que são dadas né? Aí dr. Ayrton mandava tirar fotografias daquelas que estavam desmanteladas e aquelas partes que eram reproduzidas, né? E também aquelas partes depois que ficavam prontas, a gente batia a chapa para ir embora, para o rio e para brasília”. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe pa 10 q60 30
Transmissão de saberes
Sobre ensinar, seu rubem conta que tem um neto que se interessa pelo ofício e que, segundo ele, levava jeito para o entalhe, mas que mudou-se do recife para brasília e por isso ele não pôde ensiná-lo: “aí eu tenho um desses netos que sempre viaja com o pai dele, aí ele dizia assim, ‘vô vai buscar suas ferramentas para eu cortar aqui’. Se eu fosse ensinar a talha a ele... Ele tem um interesse bom, parece que ele tem dezoito anos, ai ele foi embora com o irmão, o pai e a mãe. O filho [do sr. Rubem] que foi transferido pelo exército, ele foi transferido para fazer um curso e esse ano ele não está por aqui não. Ai eles querem que eu vá vigiar os netos, são muito agarrados comigo, nasceram aqui e é a primeira vez que eles saem, estão sentindo, eles querem eu vá lá pra [lá]...” fora do seio familiar, o mestre conta que não ensinou, “não, não ensinei não, teve uma época, lá em olinda que uma senhora foi informada e andou me procurando lá, e quem estava trabalhando. Ai ela disse assim pra mim, ‘essa minha filha é doida para aprender a entalhar, que quê se faz?’ eu disse ‘é difícil porque... Num é difícil aprender não, é difícil porque eu passo pouco tempo em casa’, porque essas coisas são o que? Continuação num é? Ai aprende, ai ela disse, o que é preciso? Eu disse que é preciso arrumar madeira, a talha se aprende é com a madeira, não é somente desenho”. Sobre oportunidade de dar aulas, seu rubem afirma que nunca deu, mas conta da experiência de ensinar na prática, “teve uma época que ferrão disse assim, ‘rubem’, era um servente, ‘fulano vai ficar aqui com você’, eu até me animei, eu disse, ‘ele ficando comigo vai até aprender a pegar uma ferramenta, num negócio...’ mas o que acontecia é que ele tava dando motivo, tinha momento que eu estava aqui trabalhando e ele estava lá na porta, olhando para a rua. As duas vezes ferrão chegou e eu o enganei, eu disse, ‘ele foi ao banheiro’, no outra vez ferrão pegou ele olhando para a rua, ai o tirou, mais antes, muito antes, aluízio pedia a dr. Ayrton, ‘olha dr. Ayrton, bote duas pessoas aqui, do serviço mesmo, para ajudar, para trabalhar com a gente aqui, ‘não, só quero vocês dois, só quero vocês dois’. Dai ficou um pouco desfalcado, porque eu me aposentei, aluízio saiu, quer dizer, a seção de entalhe do patrimônio ficou... Eu não pergunto, eu vou lá, converso com dr. Fred [frederico, superintendente do iphan em pernambuco] e marconi [técnico da instituição do departamento pessoal]. Marconi diz, ‘'rapaz você venha aqui sempre’, e eu digo ‘sim’, mas não vou”. Quando perguntado como se aprende a fazer entalhe, o mestre ensinou: “tem que ter madeira para aprender, porque na obra a pessoa vai concertar um altar, não tem coisa desmantelada, quebrada? Não vai ter que consertar? Agora tanto faz aprender, agora não vai dar para usar todas as ferramentas. Tem que estudar, guardar os cortes das ferramentas, os nomes das ferramentas, depois aquela pessoa vai assim, pega uma madeira braba mesmo, aí vai ensinar a bater, a cortar, dando volta aqui e ali e aquilo outro. Você está entendendo? Depois é que vai abrir não é? Uma flor, uma folha, entendeu? Começa assim, não vai logo fazendo a mesma talha não, tem que começar a esboçar ela, pelo começo dela, entendeu?”.

