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Carol (Ana Carolina)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Ana Carolina Albuquerque Cardoso
Data de nascimento
13 de janeiro de 1990
História de vida
Carol construiu sua trajetória como marisqueira a partir de um saber transmitido entre diferentes gerações de sua família, anterior até mesmo à geração de sua avó, Dona Zezé, que atuou como liderança entre as marisqueiras do Flexal. Sua mãe, primos, primas e, posteriormente, uma de suas filhas também estiveram envolvidos com a atividade. Para Carol, a mariscagem representava mais do que uma fonte de sustento: fazia parte de sua identidade e dos vínculos familiares construídos em torno da Lagoa Mundaú. Essa relação afetiva com a lagoa esteve presente em momentos importantes de sua vida, como no registro fotográfico de seu casamento, realizado em uma canoa, com as redes de pesca, como forma de guardar a memória do lugar que reconhece como parte de sua história.
No bairro de Bebedouro, residia na Rua Tobias Barreto, em uma casa cujo fundo dava acesso à lagoa e funcionava como ponto de apoio para as atividades da família. A prática envolvia conhecimentos sobre a maré e diferentes etapas de preparação do sururu, desde a limpeza até o trabalho de despinicar. Esses momentos reuniam numerosos familiares e combinavam trabalho, convivência e lazer. Carol também recorda celebrações relacionadas à abertura e ao encerramento da temporada da maré, quando uma imagem de santa percorria as casas e eram realizadas rezas pedindo bênçãos e prosperidade. Em suas lembranças, a lagoa garantia o sustento de muitas famílias e, ao mesmo tempo, constituía um espaço de sociabilidade e pertencimento.
Com a desocupação do território, Carol deixou de exercer a mariscagem, sobretudo por considerar que já não havia condições de segurança para continuar frequentando o local. O afastamento da Lagoa Mundaú representou, assim, não apenas a interrupção de uma atividade de trabalho, mas também uma ruptura com práticas familiares, relações de convivência e experiências construídas ao longo de gerações. Mesmo distante da atividade, mantém a lagoa como uma referência afetiva de sua trajetória e manifesta o desejo de que suas filhas possam conhecer e contemplar esse espaço tão significativo para sua história e para a de sua família.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Saber tradicional, ligado às comunidades pesqueira e ao uso sustentável de recursos naturais e à cultura local. Neste caso nos referimos especialmente a pesca realizada na Laguna Mundaú, que margeia os bairros de Bebedouro, Bom Parto e Mutange em Maceió e diretamente afetados pela mineração, tendo grande parte ou a totalidade de seus territórios desocupados e demolidos por determinação da defesa civil da cidade de Maceió, desterritorializando pescadores, marisqueiras e catadores(as) de Sururu.
Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
O Ofício das Despinicadeiras de Sururu constitui uma prática cultural profundamente enraizada no cotidiano das comunidades ribeirinhas de Maceió, onde o sururu — fruto do mar amplamente apreciado e valorizado na culinária local — ocupa lugar de destaque nas tradições alimentares da cidade. Associado à cadeia produtiva desse molusco, abundante na Lagoa Mundaú, o ofício é exercido majoritariamente por mulheres marisqueiras, responsáveis por etapas fundamentais após a coleta, como a limpeza, a separação e a retirada do fiapo do sururu.
Trata-se de um trabalho manual, minucioso e exaustivo, que exige destreza, conhecimento prático e resistência, sendo transmitido entre gerações como parte dos saberes tradicionais locais. Para além de assegurar a qualidade do produto destinado à comercialização em feiras, mercados e bancas informais, o ofício das despinicadeiras expressa modos de vida, relações de trabalho e formas de pertencimento territorial, configurando-se como um importante bem cultural imaterial vinculado à identidade e à economia popular da região.Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Remuneração
Não é remunerado


