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Dona Neide
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Neide Bezerra Frazão do Carmo
Data de nascimento
6 de maio de 1945
História de vida
Dona Neide trabalha como lavadeira de ganho, ofício aprendido com sua mãe ainda no contexto familiar. A trajetória desse saber remonta à experiência materna iniciada em Capela, Alagoas, e continuada após a mudança para Maceió, quando a família se estabeleceu no bairro do Pinheiro, na região da Rua Miguel Palmeira. Ali, sua mãe manteve por muitos anos o trabalho de lavagem de roupas, percorrendo o caminho até a Lagoa Mundaú, onde lavava peças da própria família e de outras pessoas, além de engomar e cuidar de roupas mais delicadas.
Foi acompanhando essa rotina que Dona Neide aprendeu e deu continuidade ao ofício, fazendo da lavagem de roupas uma importante fonte de trabalho e sustento. Assim como sua mãe, utilizou esse saber para manter sua casa e criar seus cinco filhos, evidenciando uma prática transmitida entre gerações de mulheres da mesma família. O conhecimento envolvia não apenas o ato de lavar, mas também modos próprios de cuidar dos tecidos e organizar um trabalho construído pela experiência cotidiana.
A trajetória de Dona Neide expressa, portanto, a continuidade de um saber associado ao trabalho feminino, à transmissão familiar e aos modos de vida do território. Herdado de sua mãe e mantido como meio de sustento, o ofício de lavadeira de ganho guarda memórias das relações estabelecidas entre as mulheres, o bairro do Pinheiro e as águas da Lagoa Mundaú, constituindo uma referência das práticas de trabalho e dos conhecimentos transmitidos entre diferentes gerações.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
A origem do termo "lavadeira de ganho" referia-se à mulher, geralmente de origem africana ou afrodescendente, muitas vezes escravizada ou liberta em períodos anteriores e posteriores à abolição, que exercia o ofício de lavar roupas de terceiros como forma de trabalho de ganho para sustento próprio ou para reverter parte do valor ao seu senhor, no caso das escravizadas.
O trabalho era predominantemente realizado em espaços públicos, como rios, lagoas, praias ou fontes d'água, onde batiam, esfregavam e quaravam (branqueavam) as roupas.
No Brasil, principalmente a partir do século XIX, essas mulheres, também conhecidas genericamente como "ganhadeiras" (junto a vendedoras de rua, quituteiras, etc.), desempenharam um papel crucial na economia urbana.
Para as mulheres escravizadas, o trabalho de ganho, incluindo o de lavadeira, era, em alguns casos, o único meio de acumular recursos para comprar sua própria alforria ou a de seus familiares.
Além do aspecto econômico, este ofício que perdura no tempo e posteriormente relacionado a mulheres de outros perfis raciais, muitas vezes envolvia a formação de grupos de trabalho e convivência, tornando-se um espaço de afirmação cultural, resistência e manutenção de laços sociais, frequentemente marcado por cantos de trabalho e manifestações culturais.
No território observado, a laguna Mundaú, provavelmente, contribuiu para a realização e disseminação desse ofício ao longo dos anos. No escopo da pesquisa foram identificadas fazedoras culturais relacionadas a este bem cultural, no bairro do Pinheiro.Localização
Relação com o bem cultural
LavadeiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Não informadoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Pinheiro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Saber tradicional, ligado às comunidades pesqueira e ao uso sustentável de recursos naturais e à cultura local. Neste caso nos referimos especialmente a pesca realizada na Laguna Mundaú, que margeia os bairros de Bebedouro, Bom Parto e Mutange em Maceió e diretamente afetados pela mineração, tendo grande parte ou a totalidade de seus territórios desocupados e demolidos por determinação da defesa civil da cidade de Maceió, desterritorializando pescadores, marisqueiras e catadores(as) de Sururu.
Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Não informadoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
O Ofício das Despinicadeiras de Sururu constitui uma prática cultural profundamente enraizada no cotidiano das comunidades ribeirinhas de Maceió, onde o sururu — fruto do mar amplamente apreciado e valorizado na culinária local — ocupa lugar de destaque nas tradições alimentares da cidade. Associado à cadeia produtiva desse molusco, abundante na Lagoa Mundaú, o ofício é exercido majoritariamente por mulheres marisqueiras, responsáveis por etapas fundamentais após a coleta, como a limpeza, a separação e a retirada do fiapo do sururu.
Trata-se de um trabalho manual, minucioso e exaustivo, que exige destreza, conhecimento prático e resistência, sendo transmitido entre gerações como parte dos saberes tradicionais locais. Para além de assegurar a qualidade do produto destinado à comercialização em feiras, mercados e bancas informais, o ofício das despinicadeiras expressa modos de vida, relações de trabalho e formas de pertencimento territorial, configurando-se como um importante bem cultural imaterial vinculado à identidade e à economia popular da região.Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Não informadoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Pinheiro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino Fundamental Completo


