Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Adélio da Silva
História de vida
Nascido no município de Paraíba do Sul (RJ), é filho de um pai boiadeiro e sanfoneiro de oito baixos. Apesar do falecimento precoce, quando Adelio tinha apenas oito anos, sua memória guarda muitas das canções que marcaram essa infância. Aos 13 anos, migrou para a capital fluminense e iniciou sua trajetória profissional como auxiliar de barbearia, em Copacabana, formando-se barbeiro aos 16 anos. Trabalhou em Nilópolis, onde abriu o Salão Caçula, e, depois, se estabeleceu em São Cristóvão e no Caju. Apesar dessa vertente profissional, sentia falta do forró. Ao perceber que ele era pouco valorizado na cidade, decidiu investir na criação de um espaço dedicado à cultura nordestina. Em 1966, fundou sua primeira casa de show, que ficou conhecida como “Gigante do Catete” e, depois, consolidou-se como Forró Forrado, nome sugerido pelo compositor João do Vale. A mudança marcou uma nova fase do espaço, que passou a receber não apenas artistas tradicionais do forró, como Luiz Gonzaga, Marinês e o Trio Nordestino, mas também grandes nomes da música popular brasileira, como Chico Buarque, Clara Nunes, Tom Jobim, Elba Ramalho e Fagner. A histórica noite de terça-feira, organizada por João do Vale, promoveu o encontro entre o público popular e a classe média da Zona Sul, impulsionando e expandindo o forró como expressão cultural na cidade. Na década de 1980, quando a lambada ganhou projeção nacional e tornou-se uma força comercial, especialmente após o sucesso de Beto Barbosa, Adelio a incorporou na sua programação, passando a trabalhar, simultaneamente, com artistas de forró e de lambada para atender a um público mais amplo. Nestes mais de cinquenta anos de atuação, abriu outras casas em Madureira, São Cristóvão, Vila Isabel e Duque de Caxias – com nomes como Forró do Rio, Raio de Sol e o próprio Forró Forrado. Chegou a administrar, simultaneamente, três casas de show e promoveu temporadas em clubes tradicionais da cidade. Atualmente, organiza o “Forró do Adelio”, que ocorre, às noites de sexta-feira, na Praça Maracanã.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Adelio se relaciona, há mais de seis décadas, com artistas consagrados e iniciantes, produtores de eventos e casas de show. Ao longo da sua trajetória, recebeu muitos músicos vindos do Nordeste e orientou suas inserções na cena forrozeira fluminense.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Adelio aponta que o Forró Forrado representa um “forró de raiz”: familiar, intergeracional e baseado na música ao vivo. Na cena, é um dos principais produtores e articuladores, que fomentou o trabalho de diversos músicos, estruturou bandas profissionais e ajudou a expandir as práticas de forró no estado.
Aprendizado do bem
Seus conhecimentos foram desenvolvidos ao longo da vivência prática com outros produtores e artistas.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Ao abordar o forró no estado do Rio de Janeiro, Adelio reconhece avanços e desafios. Considera que a Feira de São Cristóvão ampliou a visibilidade da cena, mas também contribuiu para o fechamento de casas tradicionais ao oferecer programação gratuita e alterar a dinâmica econômica dessa cadeia. Ele também observa que o público dos circuitos de forró mudou ao longo do tempo: inicialmente formado por trabalhadores nordestinos, depois incorporando a classe média jovem fluminense e, mais recentemente, concentrando-se em um público de meia-idade.
Transmissão de saberes
Adelio compartilha os saberes que acumulou ao longo dessa extensa trajetória pela vivência coletiva: recebendo e orientando artistas iniciantes, contando as suas experiências, organizando bandas e eventos, dentre outras atividades. Também guarda fotografias e relatos que documentam a trajetória do forró no Rio de Janeiro, colaborando com pesquisas e iniciativas institucionais.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Adelio reforça e defende que é fundamental preservar a memória dos forrozeiros pioneiros, a fim de evitar que a história e as matrizes do forró sejam perdidas pelas novas gerações.
Itens relacionados a este
3.3 - Identificação - Bem Cultural
Detentores do bem cultural




