Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Gercilli Feitosa Barros
Data de nascimento
3 de maio de 1951
História de vida
Gercilli Feitosa Barros nasceu em Manaus (AM), em 1951, filho de pai nortista e mãe nordestina. Ex-funcionário de banco, mudou-se para a região serrana do Rio, onde se consolidou como poeta e compositor. É membro da Academia de Letras local e Conselheiro de Cultura em Paty do Alferes. Sua parceria com João Massambará começou em um evento cultural, transformando seus poemas em letras de forró, sambas e boleros.
Antes de se tornar conhecido na cena cultural da região, Gercilli escrevia de forma mais discreta, sem divulgar muito o que produzia. Ele mesmo relata que tinha vergonha de mostrar seus textos e que não se via exatamente como letrista ou compositor, mas apenas como alguém que escrevia. Essa mudança acontece já em Paty do Alferes, quando começa a se aproximar das atividades culturais da cidade, participando de eventos e se envolvendo mais diretamente com outros artistas. Foi nesse contexto que deixou de escrever “para si” e passou a assumir publicamente sua produção.
Com o tempo, esse envolvimento se amplia e ele passa a ocupar também um papel de organização e promoção cultural. Esteve à frente de iniciativas que reuniam diferentes expressões — como música, poesia, teatro, capoeira e folia de reis — em um mesmo espaço, buscando valorizar a diversidade cultural da região. Esse tipo de atuação ajuda a entender seu lugar não só como autor, mas como alguém preocupado em movimentar o cenário cultural local e criar oportunidades para outros artistas.
O contato com o forró se fortalece justamente dentro desse circuito. A parceria com João Massambará não só abriu caminho para a musicalização dos seus textos, como também alterou a própria forma de escrever. Gercilli passa a produzir letras já direcionadas para a música, indicando o ritmo — se é xote, samba ou outro estilo — e pensando na estrutura da canção. Ele mesmo reconhece que esse processo o fez mudar a escrita em alguns casos, aproximando sua poesia da sonoridade e da lógica do forró.
Essa inserção no universo do forró dialoga diretamente com sua origem familiar. As referências nordestinas aparecem tanto no conteúdo quanto na forma dos textos, incluindo temas ligados à migração, ao cotidiano do trabalhador e às experiências vividas fora da terra de origem. Além disso, ele também menciona influências de autores e artistas ligados à cultura nordestina, o que reforça essa conexão que atravessa toda a sua produção.
Além das músicas feitas em parceria, Gercilli mantém uma produção própria de poesia, com livros publicados e participação em atividades como saraus e eventos culturais na cidade. Criou, por exemplo, encontros regulares que misturam música e poesia, reunindo um grupo fixo de participantes. Sua trajetória acaba sendo marcada por esse movimento contínuo entre escrever, compartilhar e transformar a palavra em experiência coletiva — principalmente quando essa palavra encontra o forró como forma de expressão.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Gercilli atua de forma articulada na rede cultural de Paty do Alferes, participando do conselho de cultura, da Academia de Letras e do grupo “Charau”, um sarau que reúne música e poesia e acontece de forma contínua na cidade. Esses espaços funcionam como ponto de encontro entre artistas, permitindo a troca e a circulação das produções locais.
No forró, o trabalho dele acontece principalmente em parceria com músicos. Ele escreve as letras — muitas vezes já pensando no ritmo, como xote ou samba — e isso é desenvolvido junto com os sanfoneiros, que fazem a parte musical. Esse processo é coletivo e depende da convivência e do contato frequente entre eles.
Ele também mantém relação com outros músicos da região, como o sanfoneiro Zé Chico e Tião Caju, o que amplia essa rede. As músicas e atividades circulam em programas de rádio, eventos e ações da Secretaria de Cultura, garantindo apresentações e fortalecendo a cena cultural local, com participação e organização compartilhada entre os envolvidos.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Gercilli tem uma relação direta com o forró a partir da palavra. Ele já escrevia poesia há muitos anos, mas foi no encontro com João Massambará que essa escrita passou a entrar de vez na música. A partir daí, começa a atuar como letrista, escrevendo pensando no ritmo e na interpretação, o que aproxima sua produção da prática musical do forró.
Essa ligação não surge na infância, mas se constrói ao longo da vida, já na fase adulta, quando ele passa a viver na região do Vale do Café e a conviver com músicos e com a cultura nordestina presente ali. Com o tempo, o forró deixa de ser só referência e passa a fazer parte da sua produção e do seu cotidiano.
Hoje, sua identidade está ligada tanto à poesia quanto à música. Como poeta, letrista e também produtor de documentários, Gercilli atua há décadas articulando essas linguagens e mantendo uma produção conectada ao forró e às tradições nordestinas na região onde vive.
Aprendizado do bem
Gercilli construiu sua formação cultural e poética a partir das referências familiares. Gercilli possui herança literária e influência da família nordestina. Filho e neto de nordestinos, cresceu marcado por essas referências, tanto na música quanto na literatura popular, com presença de nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, além de poetas como Patativa do Assaré e João Cabral de Melo Neto.
Durante muito tempo escrevia poemas sem divulgar, mantendo a escrita como prática pessoal. Essa produção começa a ganhar outro caminho quando passa a frequentar eventos culturais em Paty do Alferes, onde entra em contato direto com músicos da região. É nesse contexto que conhece João Massambará, e a partir dessa convivência sua escrita começa a se aproximar da música.
Com a parceria, Gercilli passa a adaptar sua forma de escrever, produzindo letras já pensadas para ritmos como xote, baião, samba e bolero. Esse processo acontece na prática, na troca com músicos e na escuta dos ritmos, aprofundando sua relação com o forró e com a cultura popular presente no Vale do Café.
Além das composições, participa de saraus, encontros culturais e atividades ligadas à memória nordestina na região, mantendo uma atuação constante que articula poesia, música e convivência com outros artistas locais.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
A atuação de Gercilli está diretamente ligada ao território de Paty do Alferes e da região do Vale do Café, onde ele passou a viver e a se inserir nas atividades culturais. Foi nesses espaços — eventos locais, programas de rádio, encontros de músicos e ações da Secretaria de Cultura — que suas letras começaram a circular, sendo interpretadas por sanfoneiros e integradas ao repertório do forró praticado na região.
Essa relação ganha ainda mais força porque o próprio território carrega uma memória importante do forró. A presença histórica de Luiz Gonzaga em cidades como Miguel Pereira e Paty do Alferes funciona como uma referência constante, servindo de base para a identidade artística construída ali. Esse passado aparece como um marco simbólico que orienta tanto os músicos quanto iniciativas de valorização cultural.
No caso de Gercilli, isso se reflete na forma como ele se integra a essa continuidade: suas letras dialogam com essa tradição e passam a fazer parte de um circuito que mantém o forró ativo no interior do estado. Ao mesmo tempo, sua participação em saraus, encontros culturais e projetos locais conecta sua produção a ações de preservação e transmissão dessa cultura, ajudando a manter viva essa memória no próprio lugar onde ela é reconhecida e valorizada.
Transmissão de saberes
Gercilli Barros transmite saberes por meio de saraus, encontros culturais, poesias, composições e atividades ligadas à cultura popular nordestina. Sua atuação acontece na convivência coletiva e em projetos culturais realizados em Paty do Alferes e região.
Essa transmissão não ocorre de forma formal, mas no contato direto com outras pessoas, principalmente em ambientes como o “Charau” e eventos culturais onde música e poesia são compartilhadas. Nesses espaços, ele apresenta suas produções, recita poemas, canta em parceria com músicos e dialoga com o público, o que acaba funcionando como um processo contínuo de aprendizado e troca.
No caso do forró, o conhecimento também se transmite na prática. Ao compor com sanfoneiros e acompanhar apresentações, Gercilli participa de um processo coletivo em que letras, ritmos e experiências são compartilhados. Pessoas que circulam nesses encontros, músicos, poetas ou interessados, acabam aprendendo pela observação, pela escuta e pela participação direta.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Gercilli teve acesso a incentivo público para sua produção cultural por meio da Lei Aldir Blanc, que viabilizou a realização de um documentário voltado à trajetória de João Massambará. Além disso, sua atuação cultural está vinculada a projetos e eventos organizados em parceria com a Secretaria de Cultura local, que contribuem com estrutura, visibilidade e oportunidades de realização das atividades.




