![]()
ASFOPAL – Associação de Folguedos Populares de Alagoas
Características do bem
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
Fundada em 27 de Dezembro de 1985, pelo professor e folclorista alagoano Ranilson França de Souza (falecido no dia 14 de Agosto de 2006), a pedido dos mestres Juvêncio Joaquim, Mestre Paulo Olegário, Mestra Hilda Maria, Mestre Jorge Ferreira e Mestre Manoel Venâncio de Amorim (todos também já falecidos), a ASFOPAL (Associação de Folguedos Populares de Alagoas) é uma entidade cultural dedicada à preservação, valorização e promoção dos folguedos populares alagoanos, manifestações tradicionais que expressam a riqueza e a diversidade da cultura do estado.
Criada com o objetivo de organizar, representar e fortalecer os grupos de folguedos, a ASFOPAL reúne mestres, brincantes e artistas ligados a expressões como pastoril, guerreiro, reisado, maracatu, coco de roda, entre outros, atuando na defesa do patrimônio cultural imaterial de Alagoas.
A associação também tem papel importante na articulação com instituições públicas e culturais, buscando reconhecimento, apoio e políticas que garantam a continuidade das tradições populares e o respeito ao trabalho dos mestres da cultura.
Com sede em Maceió, a ASFOPAL é reconhecida como uma referência na salvaguarda das manifestações culturais populares alagoanas, contribuindo para a valorização da identidade e da memória do povo alagoano.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.
Localização
Pessoas e Organizações Relacionadas ao Bem
Detentores do bem cultural
Espaços e territórios associados ao bem
Territórios associados ao bem
Espaços associados ao bem
Nome do espaço
Ameaças e Questões Internas
Riscos à transmissão
Baixo - há muitas pessoas transmitindo os conhecimentos
Ameaças externas
Desterritorialização compulsória, perda de territórios e vínculos comunitários
Descreva a ameaça externa
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificado na cidade de Maceió, ocorrido nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Após a desocupação, grande parte do território foi demolida, processo que permanece em curso, tendo os moradores, ex-moradores, fazedores de cultura e população da cidade, perdido espaços e territórios de referência cultural relacionados à práticas e saberes imateriais.
O estudo em questão procurou identificar os fazedores e detentores de saberes vinculados aos bairros atingidos e os bens culturais aos quais se relacionam, bem como a redistribuição desta população, dentro da cidade de Maceió e para além dela, buscando compreender, de modo ampliado, os desafios enfrentados por essa população para lidarem com as consequências do que é considerado o maior desastre socioambiental em área urbana do mundo e o impacto deste, sobre o campo da cultura.
De modo geral a perda dos territórios, dos espaços de socialização comunitária, a desmobilização de redes de manutenção das práticas e repasse dos saberes e a fragilização de vínculos comunitários representam, em maior ou menor medida, uma ameaça aos bens culturais identificados.
Acesso e uso do território
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificadas na cidade de Maceió, especificamente nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Boa parte do território já se encontra demolido por determinação da Defesa Civil da cidade de Maceió, processo que segue em curso e em constante processo de reavaliação. Outras partes do território estão desocupadas e seguem com acesso restrito.
Acesso à justiça e direitos humanos
Ao procurar identificar os bens culturais relacionados aos territórios desocupados na cidade de Maceió, em virtude da ação da mineração, a pesquisa do IPCI Maceió realizou ampla busca por fazedores culturais relacionados a diversos segmentos e saberes do patrimônio cultural imaterial.
Para identificação dos bens, foi preciso realizar ampla escuta junto aos fazedores culturais, processo que envolveu compreender também de que modo o deslocamento compulsório afetou as práticas culturais e quais desafios seus fazedores enfrentam, na atualidade, para seguirem atuantes.
A comunidade segue lutando por medidas de mitigação e reparação aos danos patrimoniais e extra patrimoniais decorrentes da desocupação compulsória e da consequente diáspora comunitária.
A realização deste Inventário é uma dessas medidas de reparação e atende à exigência do Acordo Socioambiental firmado pela Braskem e pelo Ministério Público Federal, juntamente com o Ministério Público Estadual, em resposta aos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela defesa civil.
Os resultados alcançados pelo IPCI Maceió são parte de uma resposta aos direitos da comunidade cultural atingida, reconhecendo que o campo da cultura foi fortemente impactado pela perda dos lugares de referência e desmobilização comunitária. Uma luta que dialoga com o direito à cidade, à história, à memória e a vida comunitária profundamente enraizada nos territórios e repletas de redes e vínculos de ordem material, imaterial e simbólica.


