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Celebrações da Paróquia de Santo Antônio de Pádua em Bebedouro
Características do bem
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
Situada na atual praça Lucena Maranhão, também chamada Praça Santo Antônio.
O atual edifícío-igreja foi construído pelo comerciante português, Jacinto José de Nunes
Leite em substituição a anterior capela antes existente, já em invocação a Santo Antônio de
Pádua, construída pelo português Antônio Maria Aguiar por volta de 1816. Era uma capela
simples que servia também como capela funerária e ficava em frente ao antigo cemitério.
(Lemos, 2003).
O templo que a substituiu no exato local, foi erguido entre os anos 1870-1873 com maiores dimensões, mas, em formato de retângulo único que teve a sua fachada revestida por azulejos, vindos de Portugal, encomendados pelo referido português. Também a imagem de Santo Antônio foi mandada buscar em Portugal pela família do português que ampliou a capelinha preexistente passaria a ocupar o nicho maior e central no salão de culto. (Lemos, 2003).
Posterior a estes anos de reconstrução do templo houveram alguns acréscimos espaciais em uma de suas laterais, mas depois ocorreriam demolições destes. Desde 1913 tornou-se a Matriz da Paróquia de Bebedouro. Já a partir das décadas de 1970 e 1980 foram erguidos vários volumes em acréscimos laterais e posterior, que resultaram contornando o volume central (antigo) e também uma sineira, à frente do templo antigo, todos estes erguidos em estilo mais moderno. Todos estes ainda permanecem e integram a imagem atual do conjunto religioso.
Sempre foi uma igreja que teve muitos sacerdotes e uma boa integração com a comunidade residente no bairro (no entorno imediato e no mais distanciado). A ritualística de veneração ao padroeiro Santo Antônio, tanto ocorria no espaço interno da edificação, quanto em festividades religiosas rememorativas em datas fixas anuais para as quais era utilizada a espacialidade externa, que lhe é contígua: - a Praça Coronel Lucena Maranhão. Dentre elas eram tradicionais:
- a Procissão do Padroeiro (que a mantinha como ponto inicial e final do seu trajeto
pelas ruas do bairro);
- e, as Trezenas de Santo Antônio.
Além destas festividades, a própria dinâmica semanal da igreja aberta para missas e outros encontros de grupos e outras atividades religiosas em seu espaço interior, sempre se estendia para um passeio (anterior ou posterior na praça). Havia uma espécie de união entre as duas espacialidades. Para além deste evidente extravasamento espacial, a população católica
frequentadora e/ou apenas a residente no bairro, ainda usufruía quase que cotidianamente, da
imaterialidade sonora do toque dos sinos que estabelecia um sistema de comunicação que anunciava as atividades (início e fim) para as pessoas.
Tais ocorrências falam diretamente da forte relação do imóvel enquanto referência cultural da igreja com a comunidade local, ou seja, - os moradores à época da vivência no bairro.
Em função do esvaziamento do bairro, o emblemático templo de Bebedouro veio a encerrar totalmente as atividades litúrgicas e comunitárias em 15 de novembro de 2022 após a
realização de uma última missa que marcaria esse rompimento entre o templo e a população.
Porém a comunidade religiosa prosseguiu se reunindo em um novo espaço construído como
medida de mitigação pela empresa que, em última instância causou o próprio fechamento do
templo, no bairro de santa Amélia, na avenida Montenegro de Barros. Esta comunidade, mesmo
se reunindo em outro bairro, retomou a organização venerativa da procissão de Santo Antônio,
só que veio formalizar o início e fim da procissão na praça Lucena Maranhão, em frente ao
antigo e simbólico templo antigo.
Devido a impossibilidade de adentrar o templo foi montada na calçada da igreja, uma
tenda para proteger o altar montado especialmente para uma “missa campal” e assim foi dado
início às celebrações da Festa de Santo Antônio no ano de 2024. Desse altar montado, o padre
iniciou a condução da procissão indicando um cortejo (modificado, em relação ao
tradicionalmente cumprido nos anos anteriores). Ao som da voz do padre as pessoas foram
percorrendo algumas ruas e chegaram próximo ao início da ladeira da Chã de Bebedouro,
acessando a comunidade do Flexal de Cima, retornando pelo Flexal de Baixo e se dirigindo de
volta à rua principal, em direção à igreja, à praça: - ponto inicial e final do circuito.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.
Localização
Pessoas e Organizações Relacionadas ao Bem
Detentores do bem cultural
Espaços e territórios associados ao bem
Territórios associados ao bem
Espaços associados ao bem
Nome do espaço
Ameaças e Questões Internas
Ameaças externas
Desterritorialização compulsória, perda de territórios e vínculos comunitários
Descreva a ameaça externa
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificado na cidade de Maceió, ocorrido nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Após a desocupação, grande parte do território foi demolida, processo que permanece em curso, tendo os moradores, ex-moradores, fazedores de cultura e população da cidade, perdido espaços e territórios de referência cultural relacionados à práticas e saberes imateriais.
O estudo em questão procurou identificar os fazedores e detentores de saberes vinculados aos bairros atingidos e os bens culturais aos quais se relacionam, bem como a redistribuição desta população, dentro da cidade de Maceió e para além dela, buscando compreender, de modo ampliado, os desafios enfrentados por essa população para lidarem com as consequências do que é considerado o maior desastre socioambiental em área urbana do mundo e o impacto deste, sobre o campo da cultura.
De modo geral a perda dos territórios, dos espaços de socialização comunitária, a desmobilização de redes de manutenção das práticas e repasse dos saberes e a fragilização de vínculos comunitários representam, em maior ou menor medida, uma ameaça aos bens culturais identificados.
Acesso e uso do território
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificadas na cidade de Maceió, especificamente nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Boa parte do território já se encontra demolido por determinação da Defesa Civil da cidade de Maceió, processo que segue em curso e em constante processo de reavaliação. Outras partes do território estão desocupadas e seguem com acesso restrito.
Acesso à justiça e direitos humanos
Ao procurar identificar os bens culturais relacionados aos territórios desocupados na cidade de Maceió, em virtude da ação da mineração, a pesquisa do IPCI Maceió realizou ampla busca por fazedores culturais relacionados a diversos segmentos e saberes do patrimônio cultural imaterial.
Para identificação dos bens, foi preciso realizar ampla escuta junto aos fazedores culturais, processo que envolveu compreender também de que modo o deslocamento compulsório afetou as práticas culturais e quais desafios seus fazedores enfrentam, na atualidade, para seguirem atuantes.
A comunidade segue lutando por medidas de mitigação e reparação aos danos patrimoniais e extra patrimoniais decorrentes da desocupação compulsória e da consequente diáspora comunitária.
A realização deste Inventário é uma dessas medidas de reparação e atende à exigência do Acordo Socioambiental firmado pela Braskem e pelo Ministério Público Federal, juntamente com o Ministério Público Estadual, em resposta aos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela defesa civil.
Os resultados alcançados pelo IPCI Maceió são parte de uma resposta aos direitos da comunidade cultural atingida, reconhecendo que o campo da cultura foi fortemente impactado pela perda dos lugares de referência e desmobilização comunitária. Uma luta que dialoga com o direito à cidade, à história, à memória e a vida comunitária profundamente enraizada nos territórios e repletas de redes e vínculos de ordem material, imaterial e simbólica.


