Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
História de vida
Nascido na cidade de Mossoró (RN), filho de pai radialista e mãe cantora, cresceu em um ambiente familiar profundamente ligado à comunicação e à arte. Desde a infância, participou de atividades musicais, especialmente em contextos religiosos, integrando corais e compondo canções. Parte da sua formação escolar se deu no interior de Pernambuco (na cidade de Belém de Maria), onde estudou em um internato adventista. Posteriormente, no final da década de 1970, ingressou no curso de Psicologia da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa. Durante o período universitário, envolveu-se intensamente com o movimento estudantil e atividades políticas, sobretudo mobilizações contra a Ditadura Militar. Abandonou o curso no sétimo período, ao perceber que sua vocação principal era a música. Após uma breve passagem por Brasília, onde compôs suas primeiras canções de maior fôlego autoral, mudou-se para o estado do Rio de Janeiro, no início da década de 1980. Instalou-se inicialmente em Teresópolis, onde atuou na vida cultural e política local, chegando a ocupar cargos públicos, como Diretor de Cultura e Secretário Municipal de Meio Ambiente. Consolidou-se como compositor, cantor e intérprete, desenvolvendo uma produção autoral que ele próprio define como “som nordeste”. Criou o personagem Caraforró, que ganhou projeção especialmente na Feira de São Cristóvão. Desde o final da década de 1990, Gilberto esteve diretamente envolvido na estruturação de projetos desse espaço, como o “Forró da Feira”, cujas duas edições resultaram em gravações lançadas no Canecão, nos anos 2000. Ao longo de sua trajetória, também estabeleceu parcerias com referências como Alceu Valença, Milton Nascimento e Zé Ramalho – este, gravou a composição “A Origem”, dedicada à história da feira. Gilberto também desenvolveu intensa produção escrita: ele criou o Jornal da Feira e a série de livros “Etsedron” (anagrama de Nordeste), onde registra a memória cultural da Feira e da presença nordestina no Rio de Janeiro.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
A trajetória de trabalho de Gilberto envolve articulações com artistas, produtores e representantes políticos. Ele participou da criação de fóruns e encontros de discussões que antecederam o reconhecimento do forró como patrimônio cultural imaterial no Brasil. Também colaborou com frentes parlamentares e contribuiu com a elaboração de legislações voltadas à cultura, como a Lei nº 7.553/2022, que institui o Programa de Salvaguarda Cultural do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Ao longo de seu percurso, trabalhou diretamente com artistas como Tânia Alves, Robertinho de Recife, Zé Ramalho, além de inúmeros trios e bandas da cena forrozeira fluminense.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Gilberto atua em diferentes frentes: é cantor, compositor, escritor e produtor cultural. O artista reconhece e reforça a dimensão nacional do forró como uma força agregadora. Se posiciona como defensor das suas matrizes tradicionais, buscando a valorização e preservação de ritmos como o baião, xote, xaxado e arrastapé. É crítico aos formatos de bandas atuais que baseiam-se em teclados e estruturas eletrônicas. Nesse sentido, preocupa-se com a descaracterização de performances e espaços de forró, especialmente pela incorporação de elementos alheios à cultura nordestina “de raíz”.
Aprendizado do bem
Muito do seu conhecimento se deu pelo convívio com demais artistas experientes e processos de pesquisa, mas também pela formação acadêmica, vivência política e experiência institucional. Suas principais referências musicais são Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e João do Vale – que considera o “tripé do som nordeste”.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O artista reconhece a força histórica e a ampla presença do forró no Rio de Janeiro, destacando a relevância de encontros realizados no estado. Entretanto, também se preocupa com a descaracterização do forró e a precarização dos músicos em espaços tradicionais de práticas.
Transmissão de saberes
Busca compartilhar suas perspectivas em apresentações artísticas, livros, artigos e eventos – que incluem fóruns e debates públicos. Também propõe-se a contribuir com projetos culturais e iniciativas que envolvem políticas públicas.





