Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Guilherme de Souza Leão Maravilhas
História de vida
Guilherme de Souza Leão Maravilhas, conhecido no meio artístico como Mará, nasceu no Rio de Janeiro e possui raízes familiares em Pernambuco. Seu primeiro contato com a música se deu ainda jovem, com o violão clássico, e pouco tempo depois passou a se dedicar ao violoncelo, instrumento que estudou por cerca de seis anos. Durante esse período, chegou a cursar licenciatura na UNIRIO e integrou a orquestra da instituição, mantendo uma formação inicialmente voltada à música erudita.
Ao longo dessa fase, começou a se aproximar da música popular, especialmente dentro do próprio ambiente universitário, onde teve contato com grupos e repertórios mais diversos. Ainda assim, relatava certa insatisfação com o meio erudito, marcado por alta competitividade e uma abordagem que considerava distante da experiência mais espontânea da música.
A virada em sua trajetória ocorreu entre 1996 e 1997, quando passou a se interessar pela obra de Luiz Gonzaga e, durante uma viagem para Pernambuco no período de pré-carnaval, teve seu primeiro contato direto com um trio de forró tradicional em Maria Farinha. A experiência de ver sanfona, zabumba e triângulo sendo tocados ao vivo, sem amplificação, marcou profundamente sua relação com a música e o levou a decidir que se tornaria sanfoneiro.
Ao retornar ao Rio de Janeiro, adquiriu sua primeira sanfona com o mestre Zé da Onça e iniciou um processo intenso de aprendizado, inicialmente de forma autodidata. Pouco tempo depois, passou a tocar em encontros informais e apresentações, percebendo rapidamente que queria seguir profissionalmente nesse caminho. A convivência com músicos e o contato com a Feira de São Cristóvão foram fundamentais nesse processo, funcionando como um espaço de aprendizado prático e troca com forrozeiros mais experientes.
Nesse contexto, fundou o grupo Forró Sacana, que se destacou na cena carioca a partir do final dos anos 1990. A banda participou ativamente do movimento que ficou conhecido como “forró universitário”, especialmente na Zona Sul do Rio de Janeiro, e ganhou visibilidade ao realizar shows, produzir eventos e circular por diferentes espaços culturais. O grupo também construiu um repertório autoral e realizou parcerias com diversos artistas, consolidando-se como uma referência daquele momento.
Ao longo dos anos, além da atuação com o Forró Sacana, desenvolveu outros trabalhos musicais e colaborou com diferentes artistas. Também esteve envolvido em projetos de produção cultural e pesquisa, como a produção de trabalhos ligados ao músico Zé Calisto e projetos temáticos dedicados ao forró e à obra de artistas como Jackson do Pandeiro.
Em 2008, enfrentou um dos momentos mais desafiadores de sua trajetória ao ser diagnosticado com distonia focal na mão direita, condição que comprometeu sua execução na sanfona. Como forma de adaptação, passou a se dedicar com mais intensidade à sanfona de oito baixos, reposicionando sua prática musical a partir dessa limitação e desenvolvendo novas formas de tocar.
Entre 2014 e 2016, viveu no Crato, no Ceará, onde passou a se apresentar de forma independente, atuando principalmente com o oito baixos e se sustentando a partir de apresentações em diferentes espaços. Essa experiência aprofundou sua relação com a música nordestina e com o fazer musical no cotidiano.
Desde 2017, estabelecido em Petrópolis, RJ, passou a se envolver mais diretamente com projetos culturais e formativos. Participou da criação de iniciativas como a Orquestra Sanfônica de Petrópolis e atuou em ações culturais locais, articulando música, educação e produção cultural. Paralelamente, desenvolveu atividades como professor em projetos sociais, incluindo o Instituto Caminho da Roça, onde ensina sanfona, violoncelo e coordena formações musicais com jovens.
Atualmente, encontra-se em um momento de transição em sua trajetória, com a decisão de encerrar sua participação no Forró Sacana e redirecionar sua atuação para o ensino, a pesquisa musical e o retorno ao violoncelo dentro da música popular, mantendo o diálogo entre diferentes linguagens que marcaram sua formação.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
Liderou o Forró Sacana por quase 30 anos e fundou a Orquestra Sanfônica de Petrópolis. Atua como articulador e curador, produzindo projetos para o CCBB, como o “Forró de Cabo a Rabo”, e trabalhos relevantes como o disco do mestre Zé Calisto. Mantém conexões históricas com mestres como Severo e Moraes Moreira, além de participar do movimento de salvaguarda do forró junto a iniciativas relacionadas ao reconhecimento do bem cultural.
Sua atuação em rede se estrutura a partir dessas relações construídas ao longo da trajetória, envolvendo músicos, produtores, mestres e instituições culturais em diferentes níveis de colaboração. No caso do Forró Sacana, por exemplo, o trabalho coletivo se dava tanto na criação musical quanto na produção de eventos e espetáculos, com participação de diferentes artistas e apoio de produtores que organizavam festas, shows e projetos de maior escala.
Essa articulação também se estende a processos de produção cultural mais estruturados, como nos projetos realizados para o CCBB e na produção de discos. Nessas iniciativas, o trabalho depende da integração entre curadoria artística, seleção de repertório, ensaios, direção musical e produção executiva, envolvendo diferentes profissionais em todas as etapas. A escolha de artistas convidados, a organização dos espetáculos e a viabilização dos recursos são feitos de forma colaborativa, evidenciando a importância dessa rede para a concretização das ações.
Outro eixo importante dessa atuação está na relação com mestres da cultura, como Zé Calisto e Severo, com quem estabelece vínculos de aprendizado e troca. Essas relações não apenas contribuem para sua formação, mas também para a circulação de conhecimentos dentro da rede, já que parte desses saberes é posteriormente incorporada em projetos, gravações e ações formativas.
Na dimensão mais recente de sua trajetória, essa atuação em rede se amplia no campo da educação e da produção local, especialmente em Petrópolis. Projetos como a Orquestra Sanfônica e as iniciativas desenvolvidas em espaços como o Instituto Caminho da Roça envolvem a articulação entre alunos, músicos, produtores e comunidade. A organização de ensaios, apresentações e repertórios é feita coletivamente, fortalecendo a dimensão colaborativa da produção cultural.
Do ponto de vista econômico e material, essa rede também permite a viabilização de projetos por meio de editais, parcerias institucionais e apoios pontuais, além da geração de oportunidades de trabalho para músicos e produtores. Ainda que nem sempre haja uma divisão formal de recursos, há compartilhamento de benefícios como circulação artística, visibilidade e continuidade das atividades.
Dessa forma, sua atuação em rede conecta diferentes esferas, artística, formativa e institucional, sendo fundamental para a produção, transmissão e circulação do forró e das práticas a ele associadas.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Sanfoneiro (acordeon e oito baixos), violoncelista, compositor, produtor musical e educador, Mará constrói sua relação com o bem cultural a partir de uma trajetória diretamente ligada ao forró, que se tornou o principal eixo de sua identidade artística. Essa relação se intensifica a partir de sua decisão de se dedicar à sanfona, após o contato com o forró tradicional, integrando essa prática ao seu percurso profissional e pessoal.
Ao longo de quase 30 anos à frente do Forró Sacana, consolidou uma atuação contínua dentro do forró, tanto como músico quanto como articulador de projetos. Sua atuação não se limita à performance, mas envolve também produção, curadoria e pesquisa, como nos projetos realizados para o CCBB e na produção do disco do mestre Zé Calisto, reforçando o vínculo com o bem cultural também no campo da valorização e registro.
Esse vínculo se fortalece ainda pela relação com mestres da cultura, como Severo e Moraes Moreira, e pela participação em iniciativas ligadas à salvaguarda do forró. Ao mesmo tempo, sua trajetória incorpora uma abordagem ampliada, ao dialogar com outras linguagens musicais, como o violoncelo, buscando integrar diferentes repertórios à música popular.
Atualmente, essa relação se mantém tanto na atuação artística quanto na formação de novos músicos, por meio de projetos educacionais e coletivos. Assim, o bem cultural está presente em sua vida de forma contínua, articulando prática musical, produção cultural e transmissão de saberes.
Aprendizado do bem
Formação acadêmica inicial na UNIRIO, complementada por um aprendizado prático e autodidata no convívio direto com mestres sanfoneiros da Baixada Fluminense e da Feira de São Cristóvão.
O aprendizado do forró ocorreu principalmente a partir da prática e do contato direto com músicos e mestres. Após comprar sua primeira sanfona com Zé da Onça, passou a frequentar a Feira de São Cristóvão, onde tocava com trios tradicionais e aprendia no palco, muitas vezes substituindo músicos em apresentações, o que funcionava como uma formação prática intensiva.
Também teve aprendizado direto com mestres como Zé Calisto e Severo, frequentando suas casas, acompanhando ensaios e observando suas formas de tocar. No caso de Zé Calisto, esse contato se aprofundou ao ponto de Mará produzir um de seus discos, o que envolveu convivência constante, escolha de repertório e ensaios conjuntos.
Além disso, destaca o contato com referências como Dominguinhos e Luiz Gonzaga, a partir da escuta e da prática, e a influência de músicos próximos da cena, como Cachaça (integrante do Forró Sacana), com quem iniciou suas primeiras experiências tocando forró ainda no início da trajetória.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
A relação do bem cultural com o lugar se constrói diretamente a partir dos espaços onde Mará desenvolveu sua prática musical, formativa e de produção cultural, como a Feira de São Cristóvão, o Instituto Caminho da Roça (em Petrópolis), o CCBB e circuitos de festivais, inclusive internacionais.
A Feira de São Cristóvão teve papel central em seu aprendizado e inserção no forró, funcionando como espaço de vivência prática e troca com músicos nordestinos, onde passou a tocar e aprender diretamente com trios tradicionais. Já os projetos realizados no CCBB evidenciam a inserção do forró em circuitos institucionais, exigindo organização coletiva, curadoria, produção e articulação com diferentes agentes culturais.
Em Petrópolis, o Instituto Caminho da Roça representa o principal espaço de atuação formativa, no qual o bem cultural é trabalhado no cotidiano por meio de aulas, ensaios e formação de grupos musicais. Nesse contexto, a prática do forró se vincula diretamente ao território local, sendo transmitida a partir da experiência coletiva com jovens e comunidade.
Além disso, sua participação em circuitos de festivais amplia essa relação para outros territórios, permitindo a circulação do forró em diferentes contextos e reforçando sua presença para além dos espaços tradicionais onde se originou.
Transmissão de saberes
A transmissão de saberes ocorre principalmente pela prática direta e pela convivência com alunos e músicos em atividades coletivas. Em sua atuação atual no Instituto Caminho da Roça, em Petrópolis, Mará ensina sanfona, oito baixos e violoncelo, atendendo alunos de diferentes idades e níveis.
O ensino começa com a iniciação ao instrumento, mas rapidamente avança para a prática em grupo, com os alunos participando de ensaios e da orquestra criada por ele. Nesse espaço, o aprendizado não fica restrito à aula individual: os alunos tocam juntos, acompanham repertórios e desenvolvem escuta e ritmo no coletivo, o que acelera o desenvolvimento.
A transmissão também acontece pela escolha de repertório. Ele trabalha diretamente com músicas de forró, como baiões e xotes, que são usadas como base para introduzir ritmo, acompanhamento e dinâmica de grupo. Esse processo permite que os alunos aprendam ao mesmo tempo técnica e linguagem musical dentro do próprio fazer.
Esse modo de ensinar reproduz a forma como ele próprio aprendeu, especialmente nas experiências na Feira de São Cristóvão e no contato com mestres como Zé Calisto e Severo, onde o aprendizado acontecia tocando, observando e participando. Hoje, ele transfere essa lógica para os alunos, criando um ambiente em que o conhecimento circula na prática, entre iniciantes e mais avançados.
Assim, a formação de novos praticantes se dá de forma progressiva e coletiva, combinando orientação direta, convivência musical e participação em grupos, mais do que por um ensino exclusivamente teórico ou formal.
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Provém de cachês de apresentações, venda de álbuns, editais de fomento (como o da Petrobras) e remuneração por projetos sociais.
Projetos como o disco de Zé Calisto e ações realizadas no CCBB foram viabilizados por editais e financiamento institucional, garantindo estrutura de produção e execução. Paralelamente, a renda vem de shows, especialmente no período ativo do Forró Sacana, e atualmente do trabalho como educador no Instituto Caminho da Roça, onde recebe remuneração e conta com estrutura para ensino e prática musical.
Itens relacionados a este
3.3 - Identificação - Bem Cultural
Detentores do bem cultural




