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Nome completo
Seu eronildo
História de vida
A região de bezerros é famosa por ser produtora de produtos ligados à olaria e também à produção de doces. Existem olarias na localidade há diversas décadas, pelo menos 50 anos. Segundo seu patrão hercílio, eronildo provavelmente trabalhou em todas as olarias da região. Assim como tantos outros, eronildo começou a trabalhar desde criança, quando era levado pelos pais para exercer a atividade e deste modo não aprendeu nenhuma outra atividade a não ser estas. Segundo hercílio, a década de 1970 foi inicialmente uma época muito ruim, só melhorando quando começaram a surgir pedidos de produtos para obras de restauração, nesta mesma época. A década de 1980 foi mais generosa, sendo tal época o auge da produção da olaria onde eronildo e sua esposa ivonete trabalham atualmente. Nesta época havia grande demanda e produção de manilhas, usadas fartamente por diversas prefeituras em obras de saneamento. A olaria onde eronildo trabalha chegou a ter 28 funcionários, alguns destes trabalhando com sete rodas de cano, utilizadas na fabricação da manilha, e chegando a vender 15 caminhões de materiais produzidos por semana. O dono desta olaria chegou até a comprar manilhas já prontas para revender, para atender à demanda. Tal situação perdurou até 1994, quando com o início do plano real, segundo edivan, tornou-se mais fácil o acesso a produtos industrializados, como o pvc ou tubos de cimento, o que fez com que a demanda pelas manilhas caísse bastante. Atualmente a olaria conta com cerca de onze pessoas, somente uma delas fazendo manilhas furadas, utilizadas em irrigação de plantações. Também ao longo dos anos 1970 viu-se a introdução e proliferação de olarias trabalhando com o tijolo de seis furos, que apesar de menos resistentes, são mais baratos e maiores, fazendo com que tanto o custo quanto o tempo de serviço sejam menores. Os donos da olaria onde ivonete e eronildo trabalham se dizem endividados com agiotas e estão caminhando para a produção de tijolos de seis furos, e dizem que ao começarem a fazê-lo, não poderão empregar todos que hoje ali se encontram e darão preferência para trabalhadores mais novos para poderem trabalhar nesta máquina. O ofício está em decadência e no cenário vê-se freqüentemente fábricas fechadas e há muito tempo abandonadas. Outros entrevistados também relataram que o número de olarias caiu em cerca de 80% desde o período de seu auge na década de 1980. Eronildo também avalia que houve uma queda significativa no número de olarias, mas quando perguntado se a oferta de serviço tem melhorado ou piorado, respondeu simplesmente “mesma coisa”.
Localização
Aprendizado do bem
Assim como grande parte das pessoas que trabalham em olarias, eronildo aprendeu o ofício no dia a dia do processo produtivo. Iniciou na atividade quando tinha cerca de doze anos, ao ser levado pelos pais. Segundo o entrevistado, o oficio não é difícil de ser aprendido. “é fácil!”, afirmou ele.
Transmissão de saberes
Quando perguntado se o ofício era difícil de ser ensinado, respondeu: “é fácil”. Na seqüência lhe foi perguntado se ensinou a muitas pessoas, ao que ele respondeu: “um bocado” e utilizou uma metáfora para ilustrar a facilidade de se aprender o ofício: “é a mesma coisa de um carnaval. Está aí. Tocou a música, sai pulando”. Dentre os produtos por ele produzidos, o tijolo seria mais fácil de fazer, e a telha seria a mais difícil. Segundo seu patrão os novatos no serviço iniciam nos serviços mais pesados, como no carregamento, e passam para a produção ao ir aprendendo com outros trabalhadores e arriscando produzir algumas peças durante o horário de almoço.

