Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Claudionor Cedro De Oliveira
Data de nascimento
4 de janeiro de 1935
História de vida
Nonô é marceneiro, construtor e lavrador. Seu trabalho, auxiliado pelos seus filhos e mulher, sempre foi a fonte de renda da família. Hoje nonô é aposentado, continua fazendo pequenos trabalhos e artesanatos em madeira. Identifica- se com a atividade, sente prazer em tudo o que faz: "acho que tudo o que eu faço eu faço por que gosto sabe? Tudo que eu faço eu faço com amor, e principalmente trabalhar com madeira, sempre tem uma preferência né. ” o mestre nonô é filho de uma família de agricultores, começou a trabalhar na roça aos 10 anos de idade. Atividade que continuou exercendo durante toda a sua vida paralelo as atividades de mestre pedreiro e carpinteiro. O mestre nonô, nasceu e sempre viveu em souto soares, ao longo da vida foi várias vezes trabalhar em são paulo por questões que advém das questões da seca nesta região da chapada diamantina. Em são paulo trabalhou, desenvolveu diversas atividades, tais como: ajudante de caminhão, em fábricas e como ajudante de pedreiro: “a primeira que fiz foi em 58 aí continuei sempre viajando pra são paulo quando as coisas apertavam por aqui, quando sai daqui não sabia fazer nada, cheguei lá e fui trabalhar de servente de pedreiro, ajudante de caminhão, de fábrica de coisa, ai passei a trabalhar de pedreiro, de carpinteiro ai comecei, criei os filhos trabalhando mais eu na profissão, quando voltava trabalhava na roça, meu trabalho certo é na roça. Aqui eu construía muito pouco eu trabalho, fiz muitas casinhas aqui, mas não era coisa continuada, era coisa mínima, tinha que juntar a roça e a profissão, a profissão e a parte de construção. Fui criado na roça, até pouco tempo eu trabalhava na roça, não abandonei a roça não. Mas a profissão me ajudou muito, a profissão é trabalhar com tijolo, trabalhar em massa, cerâmica, da construção só não faço energia, mas o mais tudo eu faço, a profissão é fazer aquilo que gosta e quando a pessoa ocupa a gente e servir para ficar perfeito. ” é interessante observar, que quando senhor nonô fala sobre construção, o que ele considera construção são as edificações feitas com novos materiais. Em são paulo o seu aprendizado se deu a partir do domínio do uso do tijolo, da massa e da cerâmica, tudo produto industrializado. O seu conhecimento e domínios dos materiais e técnicas tradicionais não tiveram nenhuma aplicação na cidade moderna, daí ele não considera elas como construção. O seu domínio dos materiais e técnicas tradicionais, segundo o próprio, seu deu através da observação dos outros fazendo, não teve mestre: “o que eu faço hoje eu não tive professor, ninguém me ensinou, isso é meu dom de cabeça, tudo que tem feito, isso é da cabeça, na construção tem sempre quem orienta a gente, tem o mestre de obras, tem engenheiro, tem tudo, o que faço aqui é sem instrução de ninguém, aprendi construção em são paulo. ” o que ele faz hoje artesanalmente é em grande parte o que executou como carpinteiro/marceneiro ao longo de sua vida. Tanto que ele reproduz em miniaturas peças e edificações, vinculadas ás praticas laboral tradicional da sua região: carros de boi, engenhos de cana, casas de farinha e etc. O conhecimento adquirido por observação e pelo seu engenho é resultante da cultura local. São práticas ancestrais vinculadas às necessidades e as opções que o meio ambiente oferecia e ainda oferece. O seu conhecimento em transformar a terra e amadeira em peças e estruturas para a construção de edificações faziam parte das práticas cotidianas de grande parte das populações que imigraram para a região da chapada diamantina: “ninguém me ensinou. É meu dom de cabeça. Adobe, trabalhei muito! Já fiz dos queimados os dos sem queimar. Já levantei diversas casas sem adobe queimado. Tem terra que mistura ‘exterco’ de gado. Essa terra daqui a gente coloca mistura na terra. Às vezes eu fazia a fornalha com o próprio adobe, era sem forno, tudo na dificuldade. A gente vai trabalhando e aprendendo, vai mudando até pegar a posição e fazer certo. Tem que pegar o tempero do barro. É o conhecimento da pessoa, coisa que a gente mesma inventa. Eu fazia forma com uma, com dois, e com três adobes. A vezes eu pagava alguém para me ajudar. Todo mundo aqui sabe trabalhar. Ensinei meus filhos desde pequeno. Eu fiz porta e janela. Eu aprendi, foi coisa minha, os outros faziam e eu aprendia, minha ferramenta era tudo manual. ” um elemento importante da prática profissional do mestre nonô, foi que ele sempre colocou os seus filhos desde pequenos, homens e mulheres, para ajudar nas construções. Página 3 de 18
Localização
Descrição da atuação em rede
Nonô é marceneiro, construtor e lavrador. Seu trabalho, auxiliado pelos seus filhos e mulher, sempre foi a fonte de renda da família. Hoje nonô é aposentado, continua fazendo pequenos trabalhos e artesanatos em madeira. Identifica- se com a atividade, sente prazer em tudo o que faz: "acho que tudo o que eu faço eu faço por que gosto sabe? Tudo que eu faço eu faço com amor, e principalmente trabalhar com madeira, sempre tem uma preferência né. ” o mestre nonô é filho de uma família de agricultores, começou a trabalhar na roça aos 10 anos de idade. Atividade que continuou exercendo durante toda a sua vida paralelo as atividades de mestre pedreiro e carpinteiro. O mestre nonô, nasceu e sempre viveu em souto soares, ao longo da vida foi várias vezes trabalhar em são paulo por questões que advém das questões da seca nesta região da chapada diamantina. Em são paulo trabalhou, desenvolveu diversas atividades, tais como: ajudante de caminhão, em fábricas e como ajudante de pedreiro: “a primeira que fiz foi em 58 aí continuei sempre viajando pra são paulo quando as coisas apertavam por aqui, quando sai daqui não sabia fazer nada, cheguei lá e fui trabalhar de servente de pedreiro, ajudante de caminhão, de fábrica de coisa, ai passei a trabalhar de pedreiro, de carpinteiro ai comecei, criei os filhos trabalhando mais eu na profissão, quando voltava trabalhava na roça, meu trabalho certo é na roça. Aqui eu construía muito pouco eu trabalho, fiz muitas casinhas aqui, mas não era coisa continuada, era coisa mínima, tinha que juntar a roça e a profissão, a profissão e a parte de construção. Fui criado na roça, até pouco tempo eu trabalhava na roça, não abandonei a roça não. Mas a profissão me ajudou muito, a profissão é trabalhar com tijolo, trabalhar em massa, cerâmica, da construção só não faço energia, mas o mais tudo eu faço, a profissão é fazer aquilo que gosta e quando a pessoa ocupa a gente e servir para ficar perfeito. ” é interessante observar, que quando senhor nonô fala sobre construção, o que ele considera construção são as edificações feitas com novos materiais. Em são paulo o seu aprendizado se deu a partir do domínio do uso do tijolo, da massa e da cerâmica, tudo produto industrializado. O seu conhecimento e domínios dos materiais e técnicas tradicionais não tiveram nenhuma aplicação na cidade moderna, daí ele não considera elas como construção. O seu domínio dos materiais e técnicas tradicionais, segundo o próprio, seu deu através da observação dos outros fazendo, não teve mestre: “o que eu faço hoje eu não tive professor, ninguém me ensinou, isso é meu dom de cabeça, tudo que tem feito, isso é da cabeça, na construção tem sempre quem orienta a gente, tem o mestre de obras, tem engenheiro, tem tudo, o que faço aqui é sem instrução de ninguém, aprendi construção em são paulo. ” o que ele faz hoje artesanalmente é em grande parte o que executou como carpinteiro/marceneiro ao longo de sua vida. Tanto que ele reproduz em miniaturas peças e edificações, vinculadas ás praticas laboral tradicional da sua região: carros de boi, engenhos de cana, casas de farinha e etc. O conhecimento adquirido por observação e pelo seu engenho é resultante da cultura local. São práticas ancestrais vinculadas às necessidades e as opções que o meio ambiente oferecia e ainda oferece. O seu conhecimento em transformar a terra e amadeira em peças e estruturas para a construção de edificações faziam parte das práticas cotidianas de grande parte das populações que imigraram para a região da chapada diamantina: “ninguém me ensinou. É meu dom de cabeça. Adobe, trabalhei muito! Já fiz dos queimados os dos sem queimar. Já levantei diversas casas sem adobe queimado. Tem terra que mistura ‘exterco’ de gado. Essa terra daqui a gente coloca mistura na terra. Às vezes eu fazia a fornalha com o próprio adobe, era sem forno, tudo na dificuldade. A gente vai trabalhando e aprendendo, vai mudando até pegar a posição e fazer certo. Tem que pegar o tempero do barro. É o conhecimento da pessoa, coisa que a gente mesma inventa. Eu fazia forma com uma, com dois, e com três adobes. A vezes eu pagava alguém para me ajudar. Todo mundo aqui sabe trabalhar. Ensinei meus filhos desde pequeno. Eu fiz porta e janela. Eu aprendi, foi coisa minha, os outros faziam e eu aprendia, minha ferramenta era tudo manual. ” um elemento importante da prática profissional do mestre nonô, foi que ele sempre colocou os seus filhos desde pequenos, homens e mulheres, para ajudar nas construções. Página 3 de 18
Aprendizado do bem
A atividade tradicional apreendeu sozinho, observando os outros fazerem: “a janela e porta foi eu que fiz, eu aprendi por minha conta, os outros fazia e eu via feita, ai eu bolava, minha ferramenta era tudo manual, eu mesmo inventava e fazia as minhas portinhas, a madeira a gente comprava fora, era cedro, umburana, hoje essas madeiras vem do pará. ” "a gente vai trabalhando e aprendendo né. O trabalho ensina a gente a fazer, você faz de uma maneira e as vezes não dá certo, você muda de sentido até que você pega a posição que dá tudo certo. O barro é assim se você amassar demais as vezes ele quebra, e as vezes conforme o barro se você não amassar ele quebra também. Então tem que pegar o tempero do barro. " (0:07:17) “eu não tive professor, ninguém me ensinou, isso é meu dom de cabeça. Dom de nascimento, né? (. . . ) na construção sempre tem quem orienta a gente, tem mestre de obra, tem engenheiro, tem tudo, e aqui eu faço [artesanato de madeira] é coisa sem a instrução de ninguém. ” (0:05:05) "os outros faziam, eu via feito e aí eu bolava. As minhas ferramentas eram todas manuais, eu mesmo inventava e fazia as minhas portas. "
Transmissão de saberes
Todos os filhos aprenderam a trabalhar junto com o pai, porém não ensinou ninguém além dos filhos. Quatro deles são pedreiros hoje em dia, afirma que os filhos sabem mais do que ele, pois aprenderam a fazer as instalações elétricas, a única coisa da construção de uma casa que seu nonô não aprendeu a fazer. Mas nos diz que “das coisas do passado” ele sabe mais que os filhos. Seu nonô teve 11 filhos, 50 netos e 17 bisnetos. Seus filhos, tanto os homens como as mulheres, ajudavam como serventes nas empreitas que o pai pegava. Seus filhos quebravam as pedras nos lajedos, carregavam água. Ensinou aos filhos desde pequenos e aos ajudantes. Segundo uma de suas filhas, ela “só trabalhava com ele na construção quando ele pegava empreita, ajudava de servente. Quando ele pegava para pegar uma construção ele dizia que precisava de ajuda. ” segundo mestre ele só ensinou praticamente seus ofícios aos filhos: “tenho quatro filhos pedreiros e fazem mais que eu, estão mais por dentro das coisas, estão mais modernos. ”

