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Cinema (audiovisual e cineclubismo)
Características do bem
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
Durante a realização do Inventário, foram identificados fazedores de cultura dos bairros de Mutange e Pinheiro que se reconheceram como profissionais vinculados à cadeia produtiva do cinema, bem como agentes atuantes em iniciativas de cineclubismo. Considerando a forte inter-relação entre essas práticas, optou-se por seu agrupamento sob um único título de bem cultural, denominado “Cinema e Cineclubismo”.
Esse agrupamento fundamenta-se na compreensão de que o cineclubismo constitui uma das principais formas de difusão, formação de público e reflexão crítica no campo do cinema, configurando-se como espaço coletivo de exibição, discussão e formação cinematográfica, organizado de forma independente e sem fins lucrativos. Por meio de sessões seguidas de debates, palestras e atividades educativas, os cineclubes valorizam obras autorais, clássicos, produções nacionais, independentes ou pouco exibidas no circuito comercial.
Historicamente, o cineclubismo desempenha papel relevante na circulação de ideias e na valorização do cinema como expressão artística e instrumento de reflexão social, evidenciando a continuidade entre produção, difusão e fruição audiovisual. Nesse sentido, o agrupamento em um único bem cultural busca refletir essa cadeia integrada de práticas e saberes.
No processo de levantamento, também foi identificada a ocorrência de um fazedor cultural do bairro de Bebedouro associado a esse mesmo campo de atuação, reforçando o caráter transversal e articulador do bem para além de um território específico.
Localização
Pessoas e Organizações Relacionadas ao Bem
Detentores do bem cultural
Ameaças e Questões Internas
Riscos à transmissão
Não há risco
Ameaças externas
Desterritorialização compulsória, perda de territórios e vínculos comunitários
Descreva a ameaça externa
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificado na cidade de Maceió, ocorrido nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Após a desocupação, grande parte do território foi demolida, processo que permanece em curso, tendo os moradores, ex-moradores, fazedores de cultura e população da cidade, perdido espaços e territórios de referência cultural relacionados à práticas e saberes imateriais.
O estudo em questão procurou identificar os fazedores e detentores de saberes vinculados aos bairros atingidos e os bens culturais aos quais se relacionam, bem como a redistribuição desta população, dentro da cidade de Maceió e para além dela, buscando compreender, de modo ampliado, os desafios enfrentados por essa população para lidarem com as consequências do que é considerado o maior desastre socioambiental em área urbana do mundo e o impacto deste, sobre o campo da cultura.
De modo geral a perda dos territórios, dos espaços de socialização comunitária, a desmobilização de redes de manutenção das práticas e repasse dos saberes e a fragilização de vínculos comunitários representam, em maior ou menor medida, uma ameaça aos bens culturais identificados.
Acesso e uso do território
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificadas na cidade de Maceió, especificamente nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Boa parte do território já se encontra demolido por determinação da Defesa Civil da cidade de Maceió, processo que segue em curso e em constante processo de reavaliação. Outras partes do território estão desocupadas e seguem com acesso restrito.


