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Celebrações da Paróquia de São Pedro em Bebedouro
Características do bem
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
[Dados extraídos do INRC-AL]
FESTA E PROCISSÃO DE SÃO PEDRO - BEBEDOURO
28 A 29 / JUNHO
Festejava a invocação do santo protetor dos pescadores.
Possuía como celebração associada, a Corrida de Canoas realizada na laguna Mundaú
1-Começava com a movimentação da organização da corrida de Canoas um dia antes do dia da
procissão (dia 28).
2- Nesta semana era limpa a imagem de São Pedro que passava o ano todo em uma prateleira da
sala da Colônia dos Pescadores e era levada para a Igrejinha para os preparativos de charola;
igualmente agilizava-se a compra dos brindes para os vencedores da corrida
3- Também nesta semana inicia os preparativos para o Café da Manhã que tem no dia da
procissão (dia 29) servido na sede da Colônia. Agilizava-se a compra dos prêmios que eram
sorteados (alimentos, utensílios domésticos, equipamento eletrônico, etc.).
As etapas da festividade .nos 2 dias
1-Corrida de Canoas com premiação (troféus em forma de canoas) e queima de fogos:
Organizada para os pescadores e marisqueiras no dia 29.
2- Café da Manhã (no dia da procissão): Para pescadores e marisqueiras.
3- Sorteios de brindes no interior da Colônia, após o café da manhã.
4- Sorteios de brindes na frente da Igrejinha de São Pedro, após o café da manhã
5- Missa realizada na Igrejinha de São Pedro
6- Procissão acontecia em duas partes:
- parte terrestre (com parada da imagem de São Pedro em frente à Igreja do Padroeiro Santo
Antônio, daí saindo para a Ponte sob as águas do rio Silva para dar início ao trajeto lagunar.
- seguia-se o percurso da parte terrestre, no qual havia também uma associação com a imagem
de nossa Senhora da Conceição a partir de um trecho.
Inicia saindo da igrejinha de São Pedro. As imagens de Nossa Senhora das Graças (em
andor carregado por mulheres) vai á frente, seguida pela charola de São Pedro carregada por
homens, em cortejo terrestre até a Ponte do Rio Silva. Lá, a imagem de N. Sra das
Graças fica parada enquanto a imagem de São Pedro prossegue em cortejo até a frente da Igreja
Matriz de Santo Antônio (em parada na praça Lucena Maranhão em frente à porta da igreja. Após essa parada o cortejo com a imagem/charola de São Pedro desce para a Ponte do
rio Silva, até entrar por ele, em cortejo aquático em canoas, seguindo até alcançar a Lagoa
Mundaú e chegar no Porto do Sururú**.
Ainda na parte do cortejo terrestre há a saída da imagem de Nossa Senhora das
Graças até o Porto do Sururu onde acontece a queima de fogos com girândolas e fica
aguardando a imagem de São Pedro que vem no cortejo lacustre até o mesmo porto do Sururu.
Depois da queima de fogos e logo após a chegada da imagem de São Pedro no Porto, as
charolas das duas imagens são colocadas em paralelo no porto do Sururu e na pracinha de n.
Sra. da Conceição, ai se formando um novo cortejo terrestre que avança pela Av.
Tobias Barreto até dobrar na rua Augusto Barreto e parar na frente da capela de São Pedro.
(Ponto 6).
(*) A ponte sobre o rio Silva era ponto de venda de verduras, peixe e marisco no bairro.
(**) O Porto do Sururú ficava na praça de Nossa Senhora da Conceição.
Frequentadores:
Toda a população local e adjacente dos bairros de Bom Parto cambona e ainda outros
margeantes à laguna Mundaú como Vergel, Fernão velho, Coqueiro Seco acompanhava a
procissão, predominantemente nos dois trajetos.
Recursos financeiros:
Os recursos financeiros provinham os próprios registrados da Colônia de Pescadores somado a
recursos levantados ente os pescadores e marisqueiras.
Materiais e equipamentos utilizados na montagem da Festividade:
- Alimentos variados para o Café da Manhã: (frutas, pão, leite, sucos, inhame, cuscuz, ovos-
Cardápio de um café matinal em Maceió);
- Flores e folhagens diversas (quantidade variável) para o enfeite da charola de São Pedro*;
- Fogos para a queima de fogos na lagoa (Fogos tipo girandola – 12 a 15 girândulas).
- Não é feita uma representação de barca reduzida de madeira ou de outro material para levar a
imagem de São Pedro. A imagem venerada é transportada da Colônia (onde fica exposta durante
todo o ano), até uma canoa usada mesmo na pesca e ela é então enfeitada com as
flores/folhagens tornando-se a própria “charola” que desliza sobre as águas.
Observações:
Atualmente, após o esvaziamento do bairro, a procissão somente ocorre em trecho terrestre,
contudo, não exatamente igual ao que acontecia. Também, em virtude da atual inexistência do
prédio da capelinha de São Pedro que foi demolida, rompeu-se a relação direta com local onde
ocorria a missa.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro de Bebedouro.
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Localização
Pessoas e Organizações Relacionadas ao Bem
Detentores do bem cultural
Espaços e territórios associados ao bem
Territórios associados ao bem
Espaços associados ao bem
Nome do espaço
Ameaças e Questões Internas
Riscos à transmissão
Baixo - há muitas pessoas transmitindo os conhecimentos
Ameaças externas
Desterritorialização compulsória, perda de territórios e vínculos comunitários
Descreva a ameaça externa
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificado na cidade de Maceió, ocorrido nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Após a desocupação, grande parte do território foi demolida, processo que permanece em curso, tendo os moradores, ex-moradores, fazedores de cultura e população da cidade, perdido espaços e territórios de referência cultural relacionados à práticas e saberes imateriais.
O estudo em questão procurou identificar os fazedores e detentores de saberes vinculados aos bairros atingidos e os bens culturais aos quais se relacionam, bem como a redistribuição desta população, dentro da cidade de Maceió e para além dela, buscando compreender, de modo ampliado, os desafios enfrentados por essa população para lidarem com as consequências do que é considerado o maior desastre socioambiental em área urbana do mundo e o impacto deste, sobre o campo da cultura.
De modo geral a perda dos territórios, dos espaços de socialização comunitária, a desmobilização de redes de manutenção das práticas e repasse dos saberes e a fragilização de vínculos comunitários representam, em maior ou menor medida, uma ameaça aos bens culturais identificados.
Acesso e uso do território
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificadas na cidade de Maceió, especificamente nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Boa parte do território já se encontra demolido por determinação da Defesa Civil da cidade de Maceió, processo que segue em curso e em constante processo de reavaliação. Outras partes do território estão desocupadas e seguem com acesso restrito.
Acesso à justiça e direitos humanos
Ao procurar identificar os bens culturais relacionados aos territórios desocupados na cidade de Maceió, em virtude da ação da mineração, a pesquisa do IPCI Maceió realizou ampla busca por fazedores culturais relacionados a diversos segmentos e saberes do patrimônio cultural imaterial.
Para identificação dos bens, foi preciso realizar ampla escuta junto aos fazedores culturais, processo que envolveu compreender também de que modo o deslocamento compulsório afetou as práticas culturais e quais desafios seus fazedores enfrentam, na atualidade, para seguirem atuantes.
A comunidade segue lutando por medidas de mitigação e reparação aos danos patrimoniais e extra patrimoniais decorrentes da desocupação compulsória e da consequente diáspora comunitária.
A realização deste Inventário é uma dessas medidas de reparação e atende à exigência do Acordo Socioambiental firmado pela Braskem e pelo Ministério Público Federal, juntamente com o Ministério Público Estadual, em resposta aos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela defesa civil.
Os resultados alcançados pelo IPCI Maceió são parte de uma resposta aos direitos da comunidade cultural atingida, reconhecendo que o campo da cultura foi fortemente impactado pela perda dos lugares de referência e desmobilização comunitária. Uma luta que dialoga com o direito à cidade, à história, à memória e a vida comunitária profundamente enraizada nos territórios e repletas de redes e vínculos de ordem material, imaterial e simbólica.


